O Brasil não está preparado para um presidente negro. Essa foi a declaração do presidente do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em entrevista ao jornal “O Globo” e que foi reforçada pela representante de Movimentos Negros em Alagoas, Arísia Barros, que ainda faz várias críticas a forma como o negro e o racismo são tratados no Brasil.
Na entrevista do presidente do STF ao jornal “O Globo” no início da semana, ao ser questionado sobre uma possível candidatura à presidência da república em 2014, foi totalmente refutada, tendo em vista que se trata apenas de rumores manifestações espontâneas da população. “Não. Sou muito realista. Nunca pensei em me envolver em política. Não tenho laços com qualquer partido político. São manifestações espontâneas da população onde quer que eu vá. Pessoas que pedem para que eu me candidate e isso tem se traduzido em percentual de alguma relevância em pesquisas.
Sobre as declarações, o CadaMinuto questionou a professora universitária e Coordenadora do Movimento Raízes de África, Arísia Barros, que “assina embaixo” das declarações do presidente da suprema corte de justiça do país. “Concordo em gênero, número e grau. O Brasil não está preparado. Existe uma resistência evidente, onde o país puxa uma imagem de “branquitude”, onde as políticas específicas são falhas e os espaços para os negros são invisíveis”, disse.
Segundo Arísia Barros, o fato de Joaquim Barbosa estar no poder e a forma como é tratado, é uma demonstração clara do preconceito que existe no país. “Existe uma cultura no Brasil, de que os negros devem estar na periferia. Quando assumem cargos como esse, sofrem pressão, porque parece que estão ali por sorte e não podem errar nunca”, afirmou.
Reforçando a necessidade de mudanças na forma como o negro é tratado no Brasil, a professora universitária fez uma breve comparação das políticas e leis referentes ao racismo, com o que é feito atualmente nas inúmeras campanhas contra o tabaco no país e as leis que separam fumantes e não fumantes.
“Por ser um mal para a saúde do indivíduo e da sociedade, o fumante precisa se retirar e fumar apenas em lugares reservados. Na questão do racismo, não deve haver uma separação, mas as leis precisam ser cumpridas. Atualmente são falhas e permitem esse absurdo que é o desrespeito contra uma raça”, lamentou Arísia.
Por fim, a Coordenadora do Movimento Raízes de África deixa claro que a luta contra o preconceito é permanente, mas precisa ter mudanças de postura, começando pelas autoridades. “O que se fala, é que o Brasil é um país miscigenado, porém, é um país que não se mistura, é dividido entre brancos e negros, ricos e pobres”, finalizou.
