Com tantas polêmicas em torno da interiorização dos médicos, o governo federal adotou uma nova medida, no último 31 de julho, para o programa Mais Médico: tornar obrigatória ao final de seis anos de graduação a residência médica para algumas atividades de medicina, ou seja, neste modelo toda residência será feita no Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente do Sindicato dos Médicos em Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, revela que esta não é nenhuma novidade, já que os estudantes de medicina do primeiro ao sexto ano de curso já passam pelo SUS.
De acordo com ele, o que governo deseja é apenas colocar mais um ano de residência no SUS em algumas especialidades que obrigatoriamente tem que passar pela clínica médica, o que já acontece. E cita como exemplo a hematologia, onde o residente antes de especializar tem que passar pela clínica médica. “A diferença é que os alunos terão que fazer essa clínica médica somente no sistema único. E aí eu pergunto: quem vai acompanhar essa residência?”
Ele explica que o programa de residência médica tem todo um protocolo a ser seguido, como por exemplo, hospitais de referência e essa não é a realidade nos interiores do Brasil. “As universidades vão montar estes hospitais? O residente vai discutir as dúvidas com quem? Com secretário de saúde do município?”.
Para Galvão, o governo tem tomado decisões rápidas, impensadas e transformado estas medidas em ações eleitoreiras. “Não tenho dúvida disto, o governo está usando o médico para se promover”.
O presidente afirma que a interiorização dos médicos será possível quando o governo oferecer condições de trabalho e um plano de cargos ao profissional médico. “No dia que o governo oferecer condições adequadas de trabalho ao médico no interior, tenho certeza que esta carência irá acabar”.
A estudante do segundo período de medicina da UFAL, Ananda Camilla também não apoia a nova medida do governo porque segundo ela, a presidente está obrigando os médicos recém-formados a trabalhar de graça nas Unidades de Saúde Básica. “Se fosse por vontade própria ninguém iria porque não temos condições mínimas de trabalho”.
Ela revela ainda que os estudantes de medicina já fazem estágio obrigatório nos dois últimos anos de curso e a maioria dos estudantes vão fazer os atendimentos no SUS. “Eu já passei por uma unidade de saúde básica, as condições são horríveis, falta material, falta segurança, é muito difícil a gente trabalhar”.
Ananda conta ainda que já passou pelo Hospital Geral do Estado e foi preciso dividir um kit de sutura por falta de material. “O kit é individual, e como não tinha material, tive que dividir com um colega. É difícil a gente trabalhar desta forma”, desabafa a estudante.
