A quem ele está servindo ainda não ficou claro. Mas, certamente, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro, tem recebido o sinal verde de algum dos caciques do PMDB, seja ele o vice-presidente Michel Temer, o senador José Sarney, Renan Calheiros ou, ainda, alguma eminência poderosa do partido que não se apresenta aos holofotes da imprensa. Ou, quem sabe, são todos os citados juntos na mesma estratégia de criar embaraços para a presidente Dilma Rousseff.

É que Eduardo Cunha vem criando dificuldades para o Governo Federal. A última dele foi prometer apresentar Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que obriga o Executivo a ter no máximo 20 ministérios. Ora. convenhamos, o representante do principal aliado do PT sabe que essa proposta é inconstitucional porque tal ideia causa uma clara intervenção no funcionamento de outro Poder.

A verdade, contudo, é que o político fluminense será convencido a não apresentar a PEC. Dessa forma, o PMDB mostrará a sua força aos aliados petistas e ainda pousa de bom moço para a sociedade. Assim, enquanto Eduardo Cunha representa o “mau” aliado, o “bom” aliado  logo surgirá para por panos quentes no conflito. Só que esse “bom” é, na verdade, o lobo mau, o mentor, ou um dos mentores da ameaça.

Porque é do conhecimento de todos que a presidente Dilma já afirmou e reafirmou que não vai diminuir o número de ministérios. Ela diz que não vê o sentido importante de economia em cortes de ministérios e que os primeiros que seriam suprimidos da estrutura seriam os menores e com grande importância social - com todos os titulares indicados por ela -, casos do da Igualdade, de Direitos Humanos, por exemplo.

 

Abaixo reportagem da Agência Câmara sobre a apresentação da proposta:


Líder do PMDB apresenta em agosto PEC para reduzir ministérios

 

Renata Tôrres, Agência Câmara - O líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), confirmou que pretende apresentar, em agosto, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para limitar em 20 o número de ministérios. Se a PEC for aprovada, a presidente Dilma Rousseff terá que abrir mão de 19 dos atuais 39 ministérios. Hoje não há limites.

A redução é defendida pela Executiva Nacional do PMDB e pela bancada do partido na Câmara. "A prerrogativa [de criar ministérios] é do Poder Executivo", lembra Eduardo Cunha. "Na medida em que se colocar um número de ministérios máximo na própria Constituição, o Poder Executivo poderá disciplinar por lei a forma como se adaptará a esse teto constitucional."

O líder do Democratas, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que seu partido também estuda a redução de ministérios. Entretanto, questiona a quantidade sugerida por Eduardo Cunha.

"Eu não sei qual foi a justificativa do líder do PMDB em definir em 20. Nossa assessoria está levantando dados, mostrando quantos [ministérios] podem ser aglutinados." Ele cita como exemplo o Ministério da Agricultura que poderia abarcar o Ministério da Pesca e o Ministério da Reforma Agrária.

Contra a redução

Já o líder do PT, deputado José Guimarães (CE), criticou a proposta. "Isso é uma excrescência. A criação de ministério, a redução de ministério é tarefa privativa do Poder Executivo. Não é tarefa do Parlamento. Não é reduzindo um ou outro ministério que se vai enfrentar os dilemas, os momentos de crise econômica mundial. Além do mais, não tem sentido do ponto de vista jurídico da nossa Constituição."

Na opinião de José Guimarães, em vez de debater a quantidade de ministério, o Congresso precisa se empenhar em discutir e votar políticas públicas para melhorar as áreas de saúde, educação, segurança pública e mobilidade urbana.