Dando continuidade ao movimento contra a violência, apresentado em coletiva nessa quarta-feira (24), as quatro entidades militares de Alagoas realizam nesta quinta-feira (25) uma homenagem aos sete trabalhadores da segurança pública mortos este ano. Um acampamento foi montado em frente ao Palácio do Governo.

A manifestação irá lembrar as mortes do sargento do Corpo de Bombeiros (CB), Elenilton  Tenório de Melo, 40; do sargento da Polícia Militar (PM), Manoel Alves Ferreira Júnior; do cabo  da PM, Carlos Pereira de Barros, 50; do cabo da PM, José Wellington da Silva; do cabo da PM de Sergipe, Ronilson Santos Alves, 43; do sargento da PM, Luís Borges da Silva, 46; e do  sargento reformado da PM, José Maria dos Santos.

O primeiro assassinato de um militar  registrado este ano ocorreu no dia 11 de janeiro, quando o corpo do sargento do CB, Elenilton Tenório, foi encontrado com três perfurações de arma de fogo em um canavial, localizado  no Conjunto Village Campestre, no bairro da Cidade  Universitária. Segundo a polícia, a vítima teria informado a familiares que iria negociar  um veículo e não foi mais encontrado com vida. De acordo com o delegado Cícero Lima, responsável pela delegacia de homicídios, as investigações  não descartavam a possibilidade de um latrocínio apesar de serem conduzidas como uma  execução.

Em pouco mais de um mês, precisamente na madrugada do dia 23 de fevereiro, o sargento da PM, Manoel Alves,morria no Hospital Geral do Estado (HGE), onde foi internado após ser baleado, supostamente por um militar reformado, durante uma confusão em um bar, localizado  no município de Santana do Mundaú. O acusado Diógenes Batista se apresentou dias depois na Delegacia Regional de União dos Palmares, acompanhado do advogado Welton Roberto, para prestar depoimento.  O advogado revelou a imprensa na  época que  faria de tudo para anular o decreto de prisão contra o cliente.

Em menos de um mês, o cabo da PM, Carlos Pereira, 50, era assassinado na noite do dia 16 de março, no terminal de ônibus do Benedito Bentes. Ele morreu no local ao ser baleado nove vezes com sua própria pistola. A polícia revelou que o PM teria sido morto por dois homens, pai e filho, após uma discussão. Os acusados prometeram se apresentarem dias depois.

Mais a violência não atingiu apenas os militares alagoanos. O cabo da PM de Sergipe, Ronildo Santos Alves,  43, foi morto no município de Piranhas. No momento do crime ele estava acompanhado de um amigo, José Ailton de Souza Santana, 30, que também se feriu e foi socorrido. Os dois foram surpreendidos e baleados por indivíduos armados em uma estrada vicinal da cidade no dia 01 de junho. Dias depois a polícia chegou aos dois acusados. Em depoimento Décio de Oliveira Sandes confessou que matou o cabo e baleou o amigo dele, mas disse que teria cometido o crime em legítima defesa, já que ele comprou da vítima um carro de “estouro” e não conseguiu pagar. Segundo o acusado, o PM  teria então planejado com José Ailton o seu sequestro.

Outro cabo da PM, José Wellington, foi surpreendido por um assalto ao transporte alternativo, que fazia a linha Maceió-Arapiraca, em que ele seguia viagem no dia 05 de junho. Dois homens e uma mulher que entraram no veículo como passageiros anunciaram o  assalto e obrigaram o motorista da van a seguir até uma estrada vicinal no município da Barra de São Miguel onde realizaram um arrastam entre os passageiros. O militar não teria reagido, apenas pediu o chip do seu celular, motivo que teria levado os acusados a executá-lo. No dia seguinte, um dos criminosos, identificado apenas como “Galeguinho” foi  encontrado morto e no dia (09) Maria Flaviana dos Santos, 21, acusada de ser a mais violenta entre os assaltantes e de ordenar a execução do cabo foi presa. O outro acusado que seguia foragido também foi capturado.

No dia 17 de julho, o sargento da PM, Luís Borges, 46, foi assassinado após reagir a um assalto em um coletivo que fazia a linha Marechal Deodoro/Maceió. A vítima teria trocado tiros com os três homens e a mulher que realizavam a ação criminosa. Atingido no rosto e pescoço o sargento chegou a ser socorrido no HGE, mas não resistiu e entrou em óbito. Uma das integrantes  da quadrilha foi presa após  ser atendida também no HGE, Lindinalva da Conceição da Silva, 18, foi baleada durante  o assalto. A polícia realizou rondas e durante a madrugada do dia  18 conseguiu prender os outros três acusados, Rubian Batista dos Santos, 20, Roberto Batista dos Santos, 34, e Luciano de Castro Silva, 29, considerado o líder do grupo.

A última morte de um militar registrada ocorreu no dia 21 de julho, quando após dois dias internado no HGE, o sargento reformado da  PM, José Maria, não resistiu a gravidade dos ferimentos e morreu.  Ele foi baleado dentro do seu estabelecimento comercial, localizado no bairro do Benedito Bentes, no dia 19 de julho.  Segundo a polícia o crime foi de execução e nada foi levado. A família revelou que o PM não teria percebido a ação e nem que foi baleado, mesmo conduzido a unidade hospitalar ele achava que teria levado um choque, já que no momento dos disparos estaria carregando o celular.  

“Os familiares do sargento reformado, José Maria, continuam vivendo a 200 metros de um ponto de comercialização de drogas, estão sem nenhuma proteção e se sentem ameaçados”, revelou durante a coletiva de ontem o presidente da  Associação dos Subtenentes e Sargentos Militares de Alagoas, Sargento  Teobaldo de Almeida.

Os representantes das quatro entidades, Associação dos Oficiais Militares de Alagoas  (ASSOMAL), Associação dos Subtenentes e Sargentos Militares de Alagoas (ASSMAL), Associação dos Cabos e Soldados de Alagoas (ACS/AL) e Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Alagoas (ASPRA), ressaltaram ontem que os índices que colocam o Estado há treze anos como líder no ranking da violência no país são resultado da inércia do governo em criar políticas de segurança pública eficientes.

O plano Brasil Mais Seguro foi duramente criticado, por equipar com helicópteros, viaturas e armamentos a polícia, mas não preparar e nem dar condições de trabalho aos militares. O Conseg também foi questionado por reunir apenas o governo e seus representantes, deixando de fora quem atua e conhece a realidade  das ruas.

As reivindicações apresentadas ontem propõem que  o Conselho seja formado com 40% de representantes do governo, 30% com os trabalhadores da segurança pública e 30% com representantes da sociedade civil. A contratação  imediata de  dois mil policias militares, além do aumento do orçamento anual das corporações em no mínimo 30%, fixação da carga horária prevista em lei, de 36  horas semanais, adicional noturno e de periculosidade e criação da Coordenação  de desdobramentos Especiais (CODE) também foram colocadas em pauta.

Um ato público, também está marcado para às 15h do dia 30 deste mês, na praça Marechal Deodoro, no Centro.