Se existe uma categoria profissional neste país que não tem do que reclamar, é a classe médica. Os salários são ótimos, mesmo para o médico que precisa ter mais de um emprego para sobreviver muito bem. Tanto isso é verdade que há falta de médicos para trabalhar em cidades do interior. Poucos querem. Já as condições de trabalho no setor público, é outra discussão.
Agora, esses profissionais articulam protestos e paralisações por insatisfação com as medidas adotadas pelo Governo Federal. A verdade é que os conservadores de branco estão mesmo é insatisfeito com a vinda de médicos estrangeiros para atuar em cidades distantes e de difícil acesso. Eles também são contrários à medida que vai obrigar os estudantes de medicina a atuarem no Sistema Único de Saúde por dois anos para que possam ter o diploma.
Ora, convenhamos, essa elite profissional também está irritada porque quer a derrubada do veto presidencial sobre o Ato Médico, que fixava a supremacia dos médicos sobre os demais trabalhadores de nível superior da saúde, caso dos enfermeiros, fisioterapeutas, etc.
Avaliar que a questão fundamental é apenas a condição de trabalho e não a carência de médicos para atender o povo, é não querer mudar nada e olhar para o andar de baixo sem entender a dor enfrentada pelos mais necessitados. Afinal de contas, o que vai custar dois anos a mais na vida de um recém-formado que estuda em faculdade pública de medicina para atender àqueles que a mantêm com o pagamento de impostos? Sinceramente, isso não é injusto.
No Brasil existem 1,8 médicos para mil habitantes. Na Inglaterra esse número é quase o dobro, 2,7. E em Cuba, que muitas idiotas criticam, são 6 médicos para cada mil habitantes. Nos últimos anos surgiram mais de 147 mil novas vagas, mas o mercado só formou 93 mil médicos. Quase três mil municípios brasileiros sofrem com o fato de existir menos de um médico para cada 3 mil habitantes, além de os doutores não terem residência fixa na localidade.
Quando o Governo Federal criou um programa para levar médicos ao interior e bairros paupérrimos das grandes cidades, a necessidade de contratação era de 13 mil trabalhadores. Mesmo com salário de R$ 8 mil, só 3,8 mil postos foram ocupados.
Portanto, eu quero mais médicos para o povo brasileiro. Não importa o idioma, não importa se é um médico vindo de Cuba. Não pode é faltar médico no interior, o que ocasiona a corrida pelo atendimento nas maiores cidades.
Entretanto, é preciso que também entrem na pauta da discussão as condições de funcionamento e os investimentos necessários para o setor público. O que não é suportável, nem aceitável, é que a classe médica simplesmente diga não a tudo o que é proposto.
Ou, que simplesmente, adira as palavras ditas pelo Instituto Teotônio Vilela – órgão político do PSDB sobre políticas públicas -, que chamou o Programa Mais Médicos, lançado pelo Governo Federal para combater a escassez de médicos no serviço público, de temeridade, ilusionismo, mandracaria, arbitrariedade e excrescência.
O povo precisa de médicos e de melhor atendimento. Esse é o caminho e o debate a ser seguido.