Recente pesquisa de percepção da Transparência Internacional revelou que 81% dos brasileiros consideram os partidos “corruptos ou muito corruptos”. Pela proporção, quatro de cada cinco brasileiros não confiam na base da representação política no país.
Em Alagoas, e em outros estados do Brasil, a insatisfação ficou explícita quando milhares de pessoas foram às ruas exigindo melhorias na qualidade da educação, saúde, transporte público, segurança e o fim da corrupção.
O CadaMinuto conversou com o cientista político e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Ranulfo Paranhos sobre os dados da Pesquisa. Para ele, em Alagoas, a insatisfação com os partidos políticos pode ser ainda maior. Segundo Paranhos, os recentes casos de escândalos políticos agravam a situação e diminuem o grau de confiabilidade das pessoas.
“É provável que, se a pesquisa fosse feita em Alagoas, a insatisfação da população com os partidos fosse ainda maior que os outros estados. Não por as pessoas terem uma consciência política maior, mas devido à quantidade de escândalos políticos. Praticamente toda semana ficamos sabendo de algum escândalo novo”, afirmou, ressaltando que a pesquisa por ser de percepção, e não de observação, reflete a opinião das pessoas no momento.
Como foi noticiado pelo CadaMinuto, escândalos envolvendo a folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE), casos de improbidade administrativa, mandatos cassados, o uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para fins pessoais, tendem a aumentar a desconfiança dos brasileiros com a política.
Ranulfo destaca que a insatisfação do eleitor com a política pode ter reflexo direto nas urnas, com o chamado voto punitivo. A depender das acusações que o candidato possua, há a possibilidade de perda de votos e da não reeleição. O cientista afirmou ainda que o resultado não está ligado, necessariamente, com o partido político, mas com a figura do próprio candidato.
“Diante dos casos de repercussão que temos acompanhado em Alagoas e no Brasil, percebe-se que há um desprestígio dos partidos, mas não necessariamente dos políticos. Isso acontece, principalmente, porque muitos eleitores não relacionam ou desconhecem os partidos que os candidatos fazem parte ou o próprio candidato busca não ressaltar o partido a que pertence”, afirmou.
Partidos e movimentos sindicais
Durante as primeiras manifestações em Alagoas, milhares de pessoas foram às ruas exigindo melhorias no setor público. No entanto, nas redes sociais, parte dos maceioenses se posicionava contra a presença dos movimentos sindicais, estudantis, trabalhadores Sem-Terra e todos que representassem algum partido. À medida que as manifestações continuaram o número de pessoas, gradativamente, estava sendo reduzido.
Questionado se, da mesma forma que os partidos políticos, os movimentos sindicais estava perdendo prestígio, Ranulfo afirmou que como foi dado continuidade às manifestações, a perda de adeptos é natural.
“Como já era esperado após as inúmeras manifestações, a energia da população baixou e quem passou a ir para as ruas foram os membros de partidos com suas bandeiras. Por mais que as pessoas queiram desconsiderar a presença destes partidos, é importante destacar que eles não podem ser retirados do modelo democrático. Eles representam uma classe e uma base. O último protesto que tivemos parou o Brasil, e foi organizado por partidos”.
Pesquisa
Depois dos Partidos Políticos, o Congresso é a segunda instituição mais desacreditada. De acordo com a pesquisa, 72% da população o consideram como corrupto ou muito corrupto e 56% dos brasileiros disseram que não acham eficientes as medidas do governo contra corrupção.
Paranhos cita dois pontos para as pessoas desacreditarem do Congresso: a atuação diante das demandas exigidas pela população e a quantidade de escândalos, como o uso irregular de aviões da Força Aérea Brasileira e projetos de lei em benefício próprio.

