Embalado pelas vozes das ruas e pela queda vertiginosa da presidente Dilma nas pesquisas para as eleições de 2014, o ex-governador de São Paulo, José Serra, saiu do casulo para ocupar todo o espaço possível nas redes sociais e nos meios de comunicação.

Para quem estava praticamente fora da disputa, o tucano está de volta com carga total pra ser candidato à Presidência da República pelo seu partido ou pelo PPS que, inclusive, já o convidou para essa tarefa. Também tem conversado com o PSD do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Para ser indicado pelo PSDB, José Serra aposta que pode tomar o lugar do senador mineiro Aécio. Para tanto toma como base pesquisas recentes que o colocam em empate técnico com Marina Silva em segundo lugar nas intenções de voto.

Para evitar qualquer racha dentro do ninho tucano e abrindo a possibilidade efetiva da sua candidatura, ele também defende entre os companheiros de partido que, não sendo candidato pelo PSDB, a sua candidatura pelo PPS reforçaria os partidos de oposição e levaria a disputa presidencial para o segundo turno.

E o candidato de oposição ao PT pelo PPS e pelo PSDB que chegasse ao segundo turno seria apoiado pelo outro. Mas não é o que deseja o senador Aécio Neves, que quer o partido unido em torno de uma única liderança, portanto, sem divisões. Quando perguntado sobre o tema, a resposta é a mais política possível: "Respeito qualquer que seja a decisão do companheiro José Serra. É uma decisão muito pessoal. Desejo pessoalmente que ele seja feliz e que as oposições possam vencer as eleições. Vou trabalhar muito para o PSDB vencer as eleições."

Já no PT, o racha atinge o partido dividindo-o entre os simpatizantes de Lula que ainda não desistiram de convencê-lo a ser candidato a Presidente e entre os deputados federais Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Henrique Fontana (PT-RS). Enquanto no primeiro caso Lula nega qualquer intenção, na Câmara os dois deputados e seus aliados estão em clima de guerra. Tudo por causa do grupo de trabalho criado para discutir a reforma política.

A origem desse conflito está na decisão dos líderes dos 13 partidos que integram o plenário de que cada um indicaria um representante. Só que o PT tem dois. O presidente Henrique Alves deveria ter colocado Fontana, indicado pela legenda para ser o coordenador por ser do partido com o maior número de deputados. Mas o presidente preferiu colocar Vaccarezza.

Por conta desse curto-circuito, o grupo criado ainda não foi instalado e há ameaças de renúncia. Claramente há uma divisão entre os parlamentares mais fieis ao Planalto, do lado de Fontana, e outros mais alinhados acreditem, com o PMDB de Alves, apoiadores de Vaccarezza.

De acordo com o site brasil247, quem está no time oposto do deputado paulista diz que ele é contra o plebiscito sugerido pela presidente Dilma Rousseff e contra a própria reforma política.

E a prova de que ele estaria mais próximo do PMDB foi uma declaração sua de que não há tempo hábil para que a reforma valha já para 2014, enquanto o partido governista luta para convencer o Congresso de que o plano ainda é possível.

Do outro lado, os opositores do parlamentar gaúcho criticam sua habilidade na relatoria da comissão especial de reforma política da Casa. De acordo com eles, Henrique Fontana teria sido um mau articulador político, pois, em mais de dois anos, não foi capaz de convencer a maioria de seus aliados a apoiar o projeto de reforma.