Não é a primeira vez, nem será a última, que artistas, atletas, políticos e candidatos ao estrelismo derrapam em opiniões, revelações e fotos de suas atividades públicas ou privadas postadas em suas redes sociais.
O caso da opinião postada pelo secretário Estadual de Educação, Adriano Soares, em sua página no Facebook foi de uma estupidez imensa. Não ter capacidade de medir que uma sugestão de agressão moral vai repercutir é de uma infantilidade sem tamanho. Ainda mais contra um movimento político-sindical. E mais, não imaginar que sugerir um vídeo de uma cantora e apresentadora em um programa em rede nacional não iria repercutir, é tolo, e sem noção.
Não ter o discernimento de que o gestor público deve ter um comportamento exemplar em sua vida privada, em sua rede social, é não ter conhecimento do que é ser gestor público, claro.
O difícil é imaginar que uma pessoa com o nível de formação do ex-secretário não tenha esse conhecimento, esse discernimento. Será que teve um momento de fúria, um dia de cão, um profundo desentendimento qualquer que embotou sua capacidade de análise, ou, supondo e divagando, tomou algum remédio na hora errada?
É que Adriano Soares é muito bem preparado e reconhecido como advogado capaz e competente. O seu escritório é um dos mais conceituados, por isso é reconhecido no meio jurídico brasileiro. Passou em concurso para juiz e desistiu do ofício. Então, não dá pra imaginar que ele não saiba que somos donos da palavra não dita e escravos da palavra dita, especialmente em redes sociais. E isso em política e em cargo de confiança, é fatal.
Entretanto, desde o princípio Adriano Soares se mostrou pouco tolerante na relação com os sindicatos vinculados aos profissionais da Educação. Era pancada daqui, pancada de lá. Divergência nas negociações tornadas públicas de maneira açodada. Isso não dá certo. E, suponhamos, desgastado na relação, tentou atingir o movimento como um adolescente raivoso.
O tiro saiu pela culatra. Agora, se o vídeo não repercutiu com o tal do “Vá tomar no...” contra o movimento sindical, repercute o desequilíbrio do profissional e o adeusinho irônico do Sinteal com o “Já vai tarde”.
Isso deve doer na alma e muito.
Por volta das nove horas desta sexta-feira (12), Adriano Soares voltou na utilizar a sua página no Facebook. Leia abaixo:
Tomei a decisão, ontem, de sair da Educação Alagoas. Já vinha cansado, pelos inúmeros embates travados nesses últimos dois anos. Mudar a educação, enfrentar feudos, mudar o foco para a gestão, conviver com uma histórica falta de estrutura... Tudo isso vinha me desgastando e sendo muito custoso pessoalmente. Afetou até a minha família.
Ontem, depois da história do vídeo, ponderei que preciso da minha vida de volta. Cansei da vida pública. Estou farto de defender a tantos e do silêncio pouco solidário de alguns.
Quem conhece o trabalho que foi feito nesses dois anos sabe que a educação está mudando e muito.
Ontem à noite estive com o Governador e entreguei o meu cargo de modo irrevogável. Tivemos uma longa conversa, expus meus motivos e posso novamente voltar à minha vida, à advocacia e aos meus livros, além de recompor a minha família.
Aos que têm apego a cargos públicos poderão estranhar a minha decisão. Nunca me aprendi a eles. Meu espírito sempre foi livre. Deixo um abraço carinhoso a todos que contribuíram para mudarmos a educação. E não foram poucos.
Que Deus nos ilumine a todos.