O governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, realizou nesta segunda-feira a reabertura ao público do parque Gezi, o epicentro dos protestos que vem mexendo com a Turquia desde maio, mas advertiu que o governo não vai tolerar manifestações nesse espaço, como a que foi convocada para esta tarde.
"Este parque pertence aos 14 milhões de habitantes de Istambul, idosos, crianças, gestantes e jovens", disse Mutlu, e também prometeu que vai impedir que qualquer grupo determinado se aproprie do parque, em referência à manifestação convocada para as 13h (de Brasília) pelo grupo Solidariedade Taksim.
Mutlu passeou pelo parque, tomado pela polícia há três semanas, em frente a dezenas de câmeras de televisão, enquanto muitos cidadãos, ávidos para retornar ao espaço verde, esperavam atrás de um cordão policial.
"Os parques pertencem ao povo. Transformá-los em uma área de manifestações é uma tortura para o povo. Não podemos tolerar que um grupo se considere o povo e diga que o parque lhe pertence", advertiu o governador.
"Já veremos: quando chegarmos nesta tarde para nos encontrarmos no parque, o governador voltará a mandar a polícia contra nós, algo completamente ilegal", advertiu um porta-voz da Solidariedade Taksim diante de uma centena de pessoas que entraram no parque Gezi após a saída do governador.
Durante as últimas três semanas, os operários municipais acondicionaram o parque, cobrindo com novas placas de grama e flores as áreas destruídas pelas escavadeiras em maio durante o início das obras do plano de reurbanização da área, promovido pelo governo.
Esse projeto, declarado como ilegal por um tribunal de Istambul, foi o causador de uma onda de protestos que evoluiu para um grande movimento de contestação popular de uma medida do Executivo turco que foi considerada como autoritária.