Construída com o propósito de desafogar o trânsito no Barro Duro, a Avenida Pierre Chalita, entregue há um ano, já causou vários transtornos para os motoristas que trafegam pela via. Uma prova disso foi o verdadeiro lamaçal que se formou em vários trechos nesta quinta-feira (04), resultado das chuvas que caíram na capital nas últimas 48 horas. O prefeito de Maceió, Rui Palmeira, afirmou durante coletiva de imprensa no final da manhã de hoje que a prefeitura quer proibir construções no local a fim de evitar danos maiores.

Palmeira classificou o problema na via como gravíssimo e afirmou que boa parte dos problemas foi causado por uma construtora que realizou obras no local sem autorização. As empresas podem ser responsabilizadas pelos danos criminalmente. De acordo com o prefeito, houve desmatamento ilegal de uma área de preservação ambiental. O prefeito explicou também que próximo onde a via foi construída um riacho chegou a ser aterrado e a encosta de uma barreira foi desmatada.

O resultado dos danos pode ser visto quando chove forte na cidade. Não é a primeira vez que uma barreira desliza e a lama toma conta da pista, interditando o trânsito. Ontem vários motoristas flagraram trechos onde era impossível trafegar por conta da lama ou da água que empoça, obrigando que os condutores redobrem a atenção para evitar acidentes.

A obra que foi realizada com o objetivo de reduzir os congestionamentos na capital, só agrava ainda mais a situação. Na manhã desta quinta-feira, equipes da limpeza municipal estavam no local realizando com o auxílio de máquinas a retirada da lama da pista. A avenida já foi liberada para tráfego.

“Já estamos analisando a possibilidade jurídica através de decreto de proibir que edificações sejam construídas no local para evitar que haja corte de barreiras, desmatamento e deslizamentos, como já aconteceu. A situação ali é grave, houve erros na obra e queremos evitar que mais danos aconteçam”, afirmou o prefeito. 

Choveu metade do que era previsto em um mês

Entre a terça-feira (02) e a quarta-feira (03) choveu 156,8 milímetros, mais da metade do que era previsto para o mês todo, cerca de 230 mm. Os estragos foram vistos em todos os bairros, dos nobres à periferia. Durante a coletiva, o prefeito afirmou que está estudando junto com o comitê da Defesa Civil Municipal medidas a serem colocadas em prática para amenizar os prejuízos.

O aguaceiro deixou 16 famílias desabrigadas no conjunto Henrique Equelman, que foram levadas provisoriamente para a escola Nise da Silveira.

Rui afirmou que as equipes de limpeza foram acionadas para dar conta da grande demanda de ocorrências em virtude das chuvas.

“Chegamos a cancelar a edição desta semana do projeto Bairro Vivo porque todas as equipes estão mobilizadas para reparar os danos causados pela chuva em Maceió”, disse.

Parcelamento de dívida para drenar Graciliano Ramos

Vários bairros da parte alta da capital tiveram prejuízos e alagamentos ontem. Um deles foi o conjunto Graciliano Ramos. Casas foram invadidas pela água e moradores chegaram a realizar um protesto contra os prejuízos. Palmeira foi questionado sobre a situação na região e afirmou que na última segunda-feira (02) foram iniciadas as obras de drenagem das ruas da região.

Porém, a continuidade dos trabalhos depende do pagamento de uma dívida de R$ 3 milhões com a empresa responsável pelo serviço. “Já renegociamos a dívida, que ficou pendente da gestão passada, e vamos pagar a primeira parcela, de aproximadamente R$ 120 mil. A expectativa é que em 15 dias os serviços que foram interrompidos sejam retomados”, garantiu.