Até que ponto é legítimo impedir o direito de ir e vir das pessoas em nome de uma causa, um pleito ou uma insatisfação? Nas redes sociais, a pergunta que repercute há alguns dias entre os internautas alagoanos ganhou força nesta terça-feira, (02), depois que centenas de pessoas se prejudicaram na noite de ontem (01) durante um protesto que bloqueou a Avenida Fernandes Lima, no Farol.
Nas redes sociais são inúmeros os relatos de pessoas que percorreram vários quilômetros a pé para chegar em casa, já que os veículos foram impedidos de circular em uma das avenidas mais movimentadas da capital.
Hoje, pelo menos quatro protestos realizados somente na grande Maceió, como Ipioca, Jacintinho, Tabuleiro do Martins e Marechal Deodoro, também deixaram os internautas preocupados e renderam mais uma saraivada de críticas, principalmente devido ao bloqueio de vias.
Luciana Santana, cientista política e professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) destacou, em entrevista ao CadaMinuto, que o direito de reivindicações é legítimo e indiscutível, desde que não usurpe o direito alheio como, por exemplo, o direito de ir e vir de outros cidadãos.
“Se essas violações de direitos individuais passam a acontecer, correm o risco de que a ‘causa’ tenha um resultado contrário, perca adeptos, simpatizantes e possa se tornar um com menos força”, destacou a cientista.
Em relação aos protestos que ocorrem em todo o País, Luciana disse que eles têm muitos pontos positivos, surpreenderam a classe política, a própria sociedade e sinalizaram a insatisfação da população com a ineficiência das políticas públicas.
A professora frisou que isso tudo, no entanto, não deve motivar a criação de uma cultura de protesto sem fundamento. “Algo tem que ser tema substantivo das manifestações. Não acredito que a sociedade se volte contra as manifestações que tenham conteúdo, que sejam pacíficas e que não atrapalhem o direito de outras pessoas. Contra atos descabidos, violentos ou que depredem o patrimônio público sim, isso provoca um sentimento de desagrado”, finalizou.
