Manifestação deveria ser uma forma de protesto público onde pessoas descontentes ou satisfeitas com determinadas situações vêm a público para declarar repúdio ou apoio. As manifestações públicas normalmente são passeatas ou concentrações em determinados locais.

Com o crescimento das mídias digitais e a emancipação da geração 3.0, depois de alguns longos anos de marasmo público, eis que jovens encontraram uma nova forma de se manifestarem. Por meio das redes sociais têm sido capazes de influenciar decisões – ou tentar – e de conquistar apoios às causas que são encampadas.

Por muito tempo esses jovens foram pejorativamente classificados como “militantes do click”, aqueles que seriam – em tese – incapazes de empunhar cartazes, bandeiras, pintar o rosto e irem às ruas. Manifestos por meio de assinaturas eletrônicas passaram a ganhar alguma projeção e notoriedade e, ainda assim, enfrentam resistência e desconfiança dos mais tradicionais analistas sociais.

O comportamento dos jovens brasileiros é influenciado pelo comportamento de jovens espalhados por todo mundo – e vice-versa. Os protestos virtuais, assim como as mobilizações por meio das redes sociais, ganharam projeção mundial por serem o pontapé inicial para que as mobilizações tomassem as ruas. Enfim, aquilo que muitos almejavam começou a tornar-se realidade.

A maioria das mobilizações tem nascido nas redes sociais, assim como o movimento “Passe Livre”, que já era realidade entre os paulistanos e que ontem (11) ganhou as ruas para, em seguida, fugir ao controle. Cenas de vandalismo, de selvageria e de ataques gratuitos tomaram conta dos noticiários desde a noite passada.

O “Passe Livre” defende a gratuidade do serviço de transporte coletivo e resolveu ir às ruas depois que a prefeitura anunciou um reajuste de 20 centavos no valor da passagem. Depois de confrontos diretos com policiais e cidadãos, 20 manifestantes foram presos por danos ao patrimônio público e privado e por formação de quadrilha.

Analistas dizem que o quebra-quebra e a queima de ônibus são fruto de parcimônia histórica ao comportamento excessivo de manifestantes. Dizem que não há ninguém condenado por vandalismo no país, e nem por atear fogo a coletivos, daí porque queimar e quebrar vidros de transporte público se tornou ação recorrente.

Acredito que tenham razão, assim como vejo razão na psicóloga que diz que esses “meninos e meninas” estão expondo a agressividade com que têm sido criados e a falta de valores que os circulam. Afinal, atear fogo a um ônibus por causa de 20 centavos no aumento da passagem e registrar o momento com seu “iphone” não parece muito coerente.

Enfim, a discussão é boa, a ideia de “tarifa zero” para transporte coletivo – também chamado de público – dificilmente será uma realidade, em nenhum lugar – que eu saiba – o é, mas a intenção é interessante.

O que é lamentável é a falta de limites com que meninos, meninas, homens e mulheres se comportam em sociedade. Reclamar, bradar, clamar e até xingar é admissível, mas parece que a criatividade desses jovens anda fraca e agora estão imitando os bandidos de organizações criminosas que orientadas por presidiários “tocam o terror no asfalto” impondo suas vontades pela intimidação e violência.

Que esses jovens – e outros mais inteligentes – não percam sua aptidão à manifestação de pensamento e expressão, mas que procurem fazê-lo de forma civilizada, ou, em vez de serem ouvidos, serão suprimidos.