O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) realiza, na segunda-feira (29), a assembleia de posse de sua diretoria estadual. A solenidade acontece às 14h30, na Faculdade Maurício de Nassau, no bairro da Ponta Verde, e conta com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).
O evento tem como finalidade legitimar a diretoria eleita, que, além de promover a reintegração social, realizará mobilizações de filhos de pais separados atingidos pela hanseníase. O movimento também tem como intuito garantir os direitos das pessoas, tanto os portadores quanto a família, isoladas compulsoriamente devido à doença.
“Para que os objetivos sejam alcançados, faz-se necessário que a sua composição seja de pacientes e ex-pacientes, trabalhadores da saúde assistentes sociais e estudantes em graduação, que possam representar a clientela nas discussões dos movimentos sociais”, expõe a secretaria geral do Morham, Edlene Almeida Brasileiro.
A programação da posse conta com uma palestra do professor Clodis Maria Tavares, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase Nacional. Também serão realizadas uma conferência do fenômeno do estigma da enfermidade e a apresentação do filme Filhos de Pais Separados.
Estarão presentes técnicos do Programa Estadual de Hanseníase, Coordenação Estadual dos Movimentos Populares em Saúde, representante do Morhan de Pernambuco, professores de diversas áreas e autoridades dos municípios prioritários para a hanseníase (Arapiraca, Coqueiro Seco, Delmiro Gouveia, Maceió, União dos Palmares, São Miguel dos Campos e Santana do Ipanema).
“Contaremos também com representantes e coordenadores dos programas municipais, de Vigilância Epidemiológica, de Atenção Básica e pacientes e ex-pacientes da doença. A mobilização social é um dos eixos essenciais para a sustentabilidade das ações que contribuem para o fortalecimento do exercício de cidadania”, acrescenta Edlene Almeida.
Hanseníase - Transmitida pelas vias respiratórias, a enfermidade atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. Os principais sintomas são manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, com diminuição ou perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. Atualmente, ela está no elenco das doenças negligenciadas.
De acordo com dados da Sesau, em 2012, foram diagnosticados em Alagoas 411 novos casos de hanseníase em 65 cidades – índice um pouco maior que o de 2011, que teve 406 notificações. O coeficiente de detecção geral ficou em 12,98 para cada cem mil habitantes e, do total de diagnósticos, 19 em menores de 15 anos, com 2,06 para cada cem mil pessoas.
Já o índice de cura dos pacientes alcançou 79,06%, percentual considerado regular em relação aos parâmetros nacionais, que considera o indicador como bom a partir dos 90%. Composto por três tipos de antibióticos, o tratamento pode ser feito nas unidades básicas de saúde e varia de acordo com o tipo de infecção, podendo durar de seis a 24 meses.