Acusados de crimes de pistolagem em Novo Lino, Manoel Bernardo de Lima Filho e João Gabriel Felizardo dos Santos serão julgados em Maceió. A decisão é do Pleno do Tribunal de Justiça (TJ/AL) que deferiu, em sessão realizada na manhã desta terça-feira (16), o pedido de desaforamento da Comarca de Novo Lino.

Manoel Bernardo de Lima Filho e João Gabriel Felizardo dos Santos são ex-integrantes da Gangue Fardada e de acordo com as investigações policiais, são responsáveis por crimes de pistolagem ocorridos em Novo Lino, na década de 1990.

O pedido de desaforamento do julgamento foi feito pelo relator do processo, o desembargador Fernando Tourinho. No entendimento de Tourinho, os dois réus devem ser julgados em Maceió pelo fato dos réus terem influência na cidade, o que poderia comprometer a lisura do julgamento.

Durante a votação, Tutmés Airan foi o único a divergir dos outros desembargadores. Segundo ele, o Pleno vem tornando as decisões sobre desaforamento numa regra, e não uma exceção, questionando se alguma testemunha do processo teria sido ameaçada de fato, para que houvesse a necessidade de transferência de julgamento.

O Ministério Público Estadual (MPE) opinou pelo desaforamento e a transferência da da sessão do Tribunal do Júri para a capital fundamentando na garantia da ordem pública, manutenção da imparcialidade dos jurados, além da ratificação da magistrada titular daquela unidade judiciária, que foi favorável ao desaforamento.

As prisões e crimes dos ex-militares

Capturado pela Polícia Federal em São Paulo, o ex-soldado Manoel Bernardo Lima Filho integrou a Gangue Fardada – organização criminosa formada na década de 90 por militares para praticar crimes de pistolagem em Alagoas. Manoel Bernardo agia em conjunto com o cabo Everaldo (pai da jovem Eloá).

Dentre os três crimes de que é acusado, está o assassinato do pecuarista José Cardoso Albuquerque, ocorrido em 1989, em Palmeira dos Índios. Apesar de confessar o homicídio, o ex-militar alegou que a morte do pecuarista aconteceu durante uma operação policial, para prender uma quadrilha especializada de roubo de gado no interior. 

Em março deste ano, a defesa do ex-soldado da Polícia Militar de Alagoas não conseguiu a liberdade do cliente no Tribunal de Justiça de Alagoas. Por maioria dos votos, a Câmara Criminal negou o habeas corpus em favor do acusado de homicídio qualificado e formação de quadrilha no interior de Alagoas. O réu foi denunciado em 1993, ficou foragido durante 15 anos em outro estado e foi preso em 2008.

Já João Gabriel Felizardo dos Santos foi preso pelo Núcleo de Inteligência e agentes da Delegacia Geral da Polícia Civil, após uma denúncia anônima, em Beberibe, interior do Ceará. Ele é irmão do ex-cabo da PM Cicero Felizardo dos Santos, conhecido como 'Cição'.

João Gabriel Felizardo trabalhava em uma empresa de segurança no interior cearense e estava utilizando o nome falso de Alex Siqueira da Silva. Ele foi preso por uso de documento falso e autuado pela polícia do Ceará.

O irmão de Gabriel Felizardo, o ex-cabo “Cição”, juntamente com o ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Everaldo Pereira dos Santos, após quase 12 horas de júri popular, em novembro de 2009, foram condenados a mais de 33 anos de prisão em regime fechado, cada um, por homicídio triplamente qualificado.

Os ex-cabos “Cição” e Everaldo também foram acusados de integrar a chamada “Gangue Fardada”, organização criminosa que foi desbaratada nos anos 90 em Alagoas. O grupo criminoso atuaria em crimes de pistolagem, roubo de carros e de cargas, e desmanches de carros.

O ex-cabo PM Everaldo Pereira também foi preso pela PC alagoana, em dezembro de 2009, numa chácara localizada no Conjunto Eustáquio Gomes, no Tabuleiro do Martins, em Maceió. O trabalho foi realizado por policiais da Delegacia do 10ºDistrito, sob o comando do delegado Gustavo Pires de Carvalho, com o apoio do Tigre - o grupo de operações especiais da Polícia Civil.