O Irã disse nesta quinta-feira que espera que o Grupo 5+1 reconheça seu direito de enriquecer urânio durante a primeira jornada da nova rodada de negociações nucleares que será realizada amanhã na cidade Almaty, no Cazaquistão.

O Grupo 5+1 é composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) mais a Alemanha.

"Consideramos que eles devem dizer uma frase ao início das negociações: eles devem reconhecer os direitos do Irã, em particular o direito de enriquecer urânio", afirmou Saeed Jalili, secretário do Alto Conselho de Segurança Nacional iraniano e negociador-chefe na negociação do programa nuclear de seu país.

Em uma conferência na Universidade de Almaty, o negociador-chefe expressou sua confiança de que as grandes potências "não repitam a amarga experiência praticada durante os 34 anos desde nossa revolução e adotem as conclusões corretas".

De acordo com Jalili, as partes não devem chegar nas negociações com ameaças, mas com propostas fundamentadas. Além disso, manifestou que o Irã "espera que os Estados Unidos modifiquem sua atitude e não apenas com palavras".

Jalili reconheceu, como apontavam vários analistas, que depois das eleições presidenciais iranianas de junho o país árabe "poderá defender seus direitos de maneira mais enérgica".

Nos últimos dias as autoridades iranianas expressaram seu otimismo sobre a possibilidade de se alcançar um entendimento sobre a questão nuclear na negociação com o Grupo 5+1.

O Irã acredita que as grandes potências deverão manter a mesma atitude realista adotada na negociação realizada no final de fevereiro em Almaty.

Após mais de dois anos de negociação sem avanços, na rodada anterior o Grupo 5+1 propôs a suspensão do enriquecimento de urânio a 20% no Irã, mas não chegou a pedir o fim da fábrica de processamento nuclear subterrânea de Fordo.

Além disso, o grupo se mostrou disposto a retirar as sanções impostas ao comércio de ouro e metais preciosos entre o Irã e outros países, mas não as restrições financeiras nem o embargo europeu sobre o petróleo iraniano.

O Grupo 5+1 diz que reconhece o direito do Irã de fazer uso pacífico da energia nuclear, mas exige provas concretas de que seu programa não tem objetivos militares.