Duas servidoras do Hospital Geral do Estado de Alagoas (HGE) informaram à reportagem do CadaMinuto que estão sendo vítimas de perseguição pelo médico Célio Roberto de carvalho Silva, que trabalhou na unidade hospitalar. As funcionárias do setor de enfermagem revelaram que o médico tem feito postagens em redes sociais e fazendo ameaças até de morte.
A enfermeira comentou que em 2010 teve uma pequena discussão com Célio, o que acredita que tenha desencadeado todo o mal estar. “Foi um comentário bobo sobre traição, quando eu disse que quem não trai pode ser traído. Imediatamente ele me chamou de vaca e outros palavrões dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Fiquei extremamente constrangida, mas deixei para lá”, disse.
Depois da discussão, ela informou que começou a receber denúncias pelo celular e teve seu carro arranhado no estacionamento do hospital. Assustada ela fez um Boletim de ocorrência na delegacia da Mulher e deu entrada num processo contra o médico no Conselho Regional de Medicina de Alagoas.
“A única resposta que obtive desde 2010, que foi quando abri o processo, foi a sugestão para que eu retirasse a denúncia, coisa que não fiz”, destacou a enfermeira.
Para a surpresa dela, na semana passada, recebeu em seu perfil no Facebook mensagens ofensivas, chamando-a de vaca e muitos palavrões. O médico utilizou o facebook com o nome Uncisal-Ecmal para postar as ofensas.
“Hoje pela manhã estive na assessoria de comunicação da Universidade que informou que essa não é a página oficial da instituição e sugeriu que procurasse a Polícia Federal para fazer a denúncia do crime”, destacou a enfermeira.
O doutor Célio não se conteve e também teria ameaçado uma auxiliar de enfermagem do HGE. A jovem comentou que nunca teve nenhum atrito e que mal conhece o médico. “Mas de uns tempos para cá tenho recebido mensagens ameaçadoras, inclusive dizendo que mereço um tiro e tudo mais. Estou assustada”, desabafou a auxiliar.
As profissionais, que preferem não se identificar com medo até de sofrer represálias no hospital, destacam que o médico utiliza diversos perfis (Uncisal, Ecmal, Samu do Brasil, médicos ecmal/uncisal e médicos esf Brasil.) “As ameaças partiram de todos esses endereços”, destacam as duas profissionais.
A assessoria de comunicação da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) informou que a página oficial da instutição é Uncisal Alagoas e que existem outras com o nome da universidade, da Ecmal e outras áreas ligadas à saúde mas não são oficias da universidade. “É preciso que fique claro que a universidade possui apenas uma página e qualquer postagem ofensiva e que esteja utilizando o nome da instituição deve sim ser denunciada não só à Uncisal mas à Polícia Federal também”, destacou a assessoria de comunicação da Uncisal.
Acusação
A reportagem do CadaMinuto procurou o Cremal para verificar se havia algum processo aberto pela profissional contra o médico e o setor jurídico do conselho confirmou a existência de um procedimento de 2010, mas por motivos profissionais não puderam dar mais informações.
A reportagem também foi informada pelas denunciantes que o médico teria sido preso pela Polícia Rodoviária Federal sob a acusação de desacato, ameaça e tráfico de entorpecentes.
Informações que constam na página do Sindicato da PRF dão conta que, em 6 de maio de 2011, o médico além de desacatar os policiais estava com 808 comprimidos de diazepan sem a devida documentação. O médico foi encaminhado para a sede da PF em Maceió e autuado em flagrante.
