Para uma banda sem hits que se apresenta num festival encabeçado por outros grupos, uma boa opção pode ser oferecer um show intenso. Trata-se de uma maneira de garantir alguma atenção dos fãs da “concorrência”.
O Foals recorreu a esse recurso em sua apresentação neste domingo (31) no Lollapalooza. Pena que apenas parcialmente. Na prática, significa que houve mesmo passagens em que as guitarras distorcidas ganharam a cena. Em outros momentos, no entanto, o show se arrastou – não chegou ao ponto do tédio absoluto, mas flertou com certo desinteresse.
O quarteto britânico entrou no Palco Butantã às 15h15. O número de abertura, instrumental, serviu de fato como carta de apresentação: frases de guitarras repetitivas e bateria quebrada e marcante.
Na música seguinte, explica-se por que o Foals é por hábito associado tanto ao math rock quanto ao rock dançante. O vocalista, que também empunha uma guitarra, falha nos instantes mais leves, é lamurioso em excesso. Em contraste, quando se empenha nos gritos as coisas melhoram significativamente. Se não no sentido técnico, no de empolgação.
Seria bom se ele se espelhasse no colega de guitarras e no baterista, que demonstram entrega em tempo integral. Ou seja, nos momentos velozes e nos momentos calmos. A combinação, por sinal, prossegue bem: o Foals acertou precisamente onde errou o Franz Ferdinand – a equalização de som esteve adequada desde o princípio.
No desfecho, o Foals evita a má impressão ao escolher tocar duas músicas fortes ("Inhaler" e "Two steps, twice"), uma delas com riff que fez lembrar Black Sabbath. E, exatamente depois de uma hora de show, os quatro músicos vão embora. O cantor, que não é de muita conversa, parece cansado e satisfeito. A despedida é discreta – a exemplo do show como um todo, se avaliado no conjunto.
O Foals pode ter merecido um palco importante do Lollapalooza - se bem que talvez o alternativo fosse mais de acordo -, mas justificou o horário relativamente ingrato.









