O médico sanitarista Jorge Villas Bôas assumiu a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) há 30 dias e anunciou que o HGE irá ganhar 114 novos leitos ainda este ano. Além dos investimentos no Hospital Geral, ele afirmou que, até o final da gestão do governador Teotonio Vilela Filho, serão construídas 60 novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Macéio, além das seis que já estão asseguradas para o interior.
Além de anunciar a expansão do HGE, Jorge Villas Bôas já contabiliza outra conquista para a unidade. Isso porque, conseguiu habilita-la para integrar o programa federal SOS Emergências, que irá repassar R$ 3 milhões para investir em equipamentos e humanizar o atendimento. No interior, o novo titular da pasta da Saúde também conseguiu habilitar um Serviço de Nefrologia para a Santa Casa de São Miguel dos Campos, que será inaugurado no próximo mês.
Na entrevista a seguir, o secretário fala sobre os avanços e os investimentos previstos na área da Saúde em Alagoas.
Agência Alagoas - O senhor assumiu a Sesau e, me menos de quinze dias, conseguiu habilitar o HGE para integrar o programa federal SOS Emergências. O que isso significa para os pacientes que são atendidos no maior hospital público do Estado de Alagoas?
Jorge Villas Bôas - Realmente habilitar o HGE para integrar o SOS Emergências representa um avanço muito significativo. Ele irá assegurar o aporte de R$ 3 milhões anuais, que serão utilizados na aquisição de novos equipamentos e reformas. Com isso, iremos qualificar a gestão e o acolhimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo filas e o tempo de espera por atendimento, que são problemas vivenciados pela unidade, mas, que acontecem em razão de ser a um hospital porta aberta, que deve atender somente aos casos de urgência e emergência, mas acaba recebendo pacientes com doenças crônicas, como a diabetes.
A.A. - Um problema que deve ser resolvido na Atenção Básica?
J.V.B. - Realmente. Se os gestores municipais realizarem os investimentos necessários nesta área, com certeza nós teremos redução do fluxo de pacientes no HGE.
A.A. - Então o trabalho realizado pelos municípios acaba se refletindo no fluxo de atendimentos no HGE?
J.V.B. - Claro. Porque se a Atenção Básica é eficaz, consequentemente são evitadas doenças graves e as suas complicações. E cabe aos gestores municipais disponibilizar a estratégia de saúde da família, porque está comprovado que 80% dos problemas de saúde são solucionados na Atenção Básica.
A.A. - E o Governo do Estado tem ajudado os municípios na área da Atenção Básica?
J.V.B. - O Governo do Estado tem repassado recursos aos municípios, no sentido de estimulá-los a investir na Atenção Básica. Para isso, já na gestão do governador Teotonio Vilela Filho, foi criado o Prosaúde, que, por meio de recursos próprios, o governo do Estado estimula o fortalecimento do PSF [Programa Saúde da Família]. Com isso, Alagoas já possui 80% de cobertura e deve aumentar este número, através da criação de mais equipes em Maceió.
A.A. - Além do Prosaúde, outros três programas estratégicos foram criados e destinam recursos para os 102 municípios alagoanos. Quais são estes programas e quanto eles repassam anualmente?
J.V.B. - Anualmente o Governo do Estado investe mais de R$ 70 milhões para estruturar os programas Provida, Promater, Prohosp e Prosaúde nos 102 municípios alagoanos. O objetivo é qualificar e aumentar os serviços de urgência e emergência, o Programa Saúde da Família (PSF), as UTIs e UCIs, além do atendimento de média e alta complexidade que é disponibilizado na rede pública e conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A.A. - Atualmente, o HGE possui 258 leitos, mas está sendo realizada uma obra de ampliação. Quando ela for concluída, esse número será ampliado para quanto?
J.V.B. - O HGE possui atualmente 258 leitos e, após a conclusão da obra, que deve ocorrer no segundo semestre deste ano, os usuários do SUS irão contar com quase 400 leitos. Isso porque, além dos 114 que serão implantados, ainda temos os leitos de observação, que apesar de não estarem cadastrados no CNES [Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde], chegam a 30.
A.A. - Com estes novos leitos, os usuários terão um ambiente mais humanizado?
J.V.B. - Sem a menor sombra de dúvidas. Mas é importante ressaltar que, por ser uma unidade porta aberta, que não pode deixar de atender nenhum paciente, sempre haverá um grande fluxo de pessoas, por isso a necessidade de fortalecermos a Atenção Básica, para que somente os pacientes em estado de urgência possam procurar o HGE.
A.A. - Como o senhor já citou, o governo federal tem estimulado os estados a trabalharem de forma regionalizada. De que forma este mecanismo irá ajudar na qualificar os serviços disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde?
J.V.B. - Sem sombra de dúvidas, trabalhar a saúde de forma regionalizada contribui para torná-la mais eficaz. Primeiro, porque os serviços existentes na região são identificados, é montado um cronograma de ações a serem desenvolvidas para contemplar a região com os serviços ainda não existentes e, com isso, o atendimento aos usuários é agilizado, sem falar que eles não precisam mais se descolar para cidades foram da região onde estão inseridos.
A.A. - Quantas unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram construídas no governo Teotonio Vilela Filho?
J.V.B. - Já inauguramos as UPAs de Viçosa e Penedo e, nos próximos meses, estaremos entregando as UPAs de Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, Marechal Deodoro e Maragogi. Para isso, esperamos apenas que os prefeitos assinem os termos de cessão. Uma boa notícia é que iremos contar com mais quatro UPAs, que irão funcionar em Maceió. Quanto às UBS, que qualificam a Atenção Básica, este governo já construiu 20, através do Programa Alagoas Tem Pressa. No entanto, outras 40 estão sendo erguidas, graças à parceria firmada com o governo federal.
