Karine Amorim - colaboradora
Três meses após a explosão da sede da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), moradores e comerciantes que tiveram casas e estabelecimentos comercias afetados pelo acidente ainda não receberam indenização.
Jânison Andrade, proprietário de um ateliê localizado próximo à antiga sede da Deic, é um dos muitos que tiveram prejuízo com os efeitos da explosão. “Perdi cadeiras, cavaletes, birôs, o som foi danificado e uma parte do escritório e da galeria em que estavam algumas telas ficou destruída. Meu prejuízo foi de R$ 2 mil em obra de arte e mais R$ 1 mil em obras de alunos e telas ainda em branco que estavam armazenadas no depósito”, disse ele
O proprietário do ateliê explica ainda que como o antigo estabelecimento ficou destruído, foi preciso alugar um novo imóvel para dar continuidade ao seu trabalho. “Como eu não posso ficar sem trabalhar, decidi investir no espaço para dar continuidade ao serviço. O novo ateliê teve um custo de R$ 2 mil, equivalente à fiança e alguns reparos no local. Eu estou trabalhando como eu posso, inclusive com algumas cadeiras quebradas que ainda não tive como substituir. Estou investindo e até agora nada de ser ressarcido”, disse. Até agora, a despesa média de Jânison é de R$ 5 mil aproximadamente.
“Quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Foi com este trecho musical que Jânison cobrou atenção do poder público. “Se eu fosse esperar o governo, estava desempregado. Só espero que as autoridades não esqueçam de nós. Só sei que eu não esqueço e os outros moradores também não, afinal a lembrança está naqueles que perderam.”, disse.
O morador Celso da Silva também teve prejuízo com a explosão. Segundo ele, o custo para reforma e mão de obra foi de aproximadamente R$ 6 mil. “Como precisei substituir o reboco do primeiro andar, gastei muito com material de construção e com mão de obra.” Celso explicou ainda que como a casa estava desocupada, no período de reforma, foram roubados botijões de gás, computadores, caixa d’água, além de outros pertences pessoais.
Jânison e Celso são apenas dois dos moradores que relataram os prejuízos com a explosão.
Estado
Em contato com o CadaMinuto, o presidente do Serviço de Engenharia de Alagoas (Serveal), Ronaldo Patriota, responsável pelas medições das áreas afetadas, explica que o levantamento de custos nos imóveis ainda não foi concluído. “Estamos dando continuidade às vistorias nas casas e organizando o orçamento para ser entregue à Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra). Acontece que continuamos recebendo ligações de pessoas que alegam prejuízos, mas que não estavam inclusas na lista enviada pela defesa civil que estávamos seguindo”, colocou.
A Serveal explicou ainda que não é de sua responsabilidade orçar valores referentes a eletrodomésticos, automóveis ou outros bens pessoais. “Nós ficamos encarregados apenas de fazer o levantamento das edificações e encaminhar os dados para a Seinfra”, afirmou.
Segundo informou um morador, está sendo organizado um abaixo assinado referente às indenizações para ser entregue as autoridades responsáveis.
O caso
No dia 20 de dezembro do ano passado, uma explosão na sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) provocou a morte da policial civil Maria Amélia Lins Costa, 43, e deixou outros quatro agentes feridos. Casas e estabelecimentos comerciais tiveram sua estrutura comprometida.


