Provavelmente nos últimos 20 anos nenhuma eleição para as presidências da Câmara e do Senado foi tão questionada quanto a de Henrique Alves e Renan Calheiros, o primeiro do PMDB do Rio Grande do Norte e, o segundo, do PMDB de Alagoas. Não pelo fato de serem nordestinos e sim pelas suas biografias. Henrique foi acusado pela ex-mulher de ter milhões de dólares em paraísos fiscais e Renan de pagar pensão a uma ex-amante com recursos de uma empreiteira.

No entanto, como ambos são “cobras criadas”, resolveram dar a volta por cima criando uma agenda positiva para o Congresso Nacional. Tiraram de pauta assuntos periféricos, que só interessam à mídia fofoqueira, e puseram na ordem do dia temas de interesse do país como o chamado “pacto federativo”. Fizeram isto chamando para uma reunião, em Brasília, ontem, todos os 27 governadores para que eles lhes dissessem quais projetos gostariam que fossem aprovados.

Isso gerou mídia positiva para as duas casas do Congresso. E já na véspera o governador Eduardo Campos articulou com mais 15 colegas a agenda do dia seguinte. Cinco governadores foram escalados para falar em nome dos demais, cabendo ao de Pernambuco fazer um só pedido aos presidentes da Câmara e do Senado: só pôr em votação a partir de agora projetos que criem despesas para os estados se a União bancar os custos. Se forem atendidos, a reunião terá valido a pena.

Fonte: Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 14 de março

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