O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão recebeu a notificação do Ministério Público Estadual (MPE/AL) e deve responder, no prazo de 10 dias, ao questionamento do órgão sobre a falta de médicos nas unidades ambulatoriais, em Maceió. 

Em entrevista ao CadaMinuto, Galvão salientou que é fundamental o posicionamento do MPE sobre a investigação, mas se mostrou indignado já que a instituição não vem investigando a situação da saúde pública no estado. “As pessoas estão morrendo amotoadas nos corredores do HGE e ninguém se posiciona”, afirmou. 

Galvão afirmou que mesmo com o decreto de ilegalidade da greve, o questionamento do MPE, dá a entender que a instituição não tem conhecimento da paralisação, que já dura mais de 80 dias. “Houve a ilegalidade um dia antes do início da greve, mas a categoria decidiu em assembleia manter a paralisação”, disse. 

O Ministério Público abriu um processo de investigação após a morte da aposentada Edilene da Conceição Silva, no último sábado (02), em decorrência da falta de atendimento nas unidades Denilma Bulhões, no Benedito Bentes e na Assis Chateaubriand, no Tabuleiro do Martins. 

O sindicalista disse que mesmo que os ambulatórios estivessem funcionando, as unidades não são apropriadas para realizar o atendimento da paciente que faleceu vítima de infarto. “Nenhuma morte justifica, mas essa é mais uma morte que coloco na conta do governador”, lembrou. 

Segundo Galvão, com a greve apenas as unidades de urgência e emergência estão funcionando. Ele explicou que os ambulatórios funcionam normalmente com quatro médicos em cada plantão e que antes mesmo da greve o ambulatório Assis Chateaubriand já funcionava sem a quantidade mínima de médicos para o atendimento. 

“Já houve uma época em que tinha 26 médicos no quadro do Assis Chateaubriand, mas 20 médicos pediram demissão. As unidades não funcionam, não por conta da greve, mas por falta de médicos no quadro da própria unidade”, disse Galvão, acrescentando que desde 2010 mais 1200 médicos já pediram demissão no estado.