A imprensa livre inglesa está em vias de, pela primeira vez em quase 200 anos, ser submetida a uma lei de regulação e controle. A medida, que ainda está em fase de estudos e de análise pelos parlamentares britânicos, visa coibir abusos como o protagonizado pelo extinto tabloide News of the World, que acabou fechando após o escândalo das escutas telefônicas ilegais.
O escândalo que abateu a imprensa e a sociedade inglesa, além de toda a Europa, tem toda razão de ser. É inadmissível que, em nome da notícia a qualquer custo, direitos individuais sejam violados, principalmente, porque a intenção do periódico sequer era a busca pela verdade dos fatos ou a elucidação de enigmas políticos, sociais ou econômicos. Em princípio, o jornal intencionava, apenas, encontrar segredos pessoais de personalidades públicas, assuntos, normalmente, sem qualquer viés de interesse do povo.
Desde a cobertura jornalística do julgamento do “mensalão”, que setores da sociedade e políticos de partidos interessados no assunto travam a luta pela regulação da imprensa brasileira. Sob o manto da justiça social, alegando a busca pela prevenção de abusos midiáticos, assim como do uso da imprensa por organismos religiosos ou para propagação de cultura não considerada salutar para o povo, que tais “justiceiros” se consideram mais capazes de determinar o que seja de interesse da população do que o controle remoto, como diz o nobre colega Adrualdo Catão.
Ocorre que ninguém pode perder de vista que o Brasil é bem diferente de países europeus que não são regidos por leis como as nossas. O Brasil é tutelado por uma das Constituições mais prolixas do mundo, chamada de “Carta Cidadã”. A Constituição do Brasil prevê a responsabilização daqueles que violam leis, como grampo ilegal ou publicação de notícias que visem apenas desabonar o “alvo” e não têm relevância pública.
O Brasil alcançou o status que possui em liberdade de expressão e livre manifestação do pensamento à custa de muitos anos de censura e de lutas, não é possível que justamente quando a democracia se julga mais amadurecida sejamos capazes de esquecer o passado em nome de perpetuação de alguns no poder através de manipulação da mídia.
Em vez de lutar por censura, ops, por regulação da mídia, por que os intelectuais de esquerda, ops, de... de... do poder, não se dedicam a cobrar qualidade no ensino público e privado, incentivo à cultura, combate às drogas, concessões de veículos de comunicação sob rígidos e objetivos requisitos e Conselhos de Classe para jornalistas e comunicólogos?
Por pior que seja a imprensa, ainda é melhor que seja livre e que caiba ao povo o criticismo que educação e cultura provocam, do que a melhor imprensa cerceada pelos interesses de poucos. Já diz o ensinamento popular: “mais vale uma amarga verdade do que uma doce mentira”.