A Frente de Salvação Nacional (FSN), que reúne a oposição não islamita do Egito, anunciou nesta terça-feira que não participará das próximas eleições parlamentares, cujo início está previsto para 22 de abril, nem no diálogo com a presidência.

Em entrevista coletiva, o dirigente do Partido Nasserista Sameh Ashur disse que a decisão foi adotada por "consenso" na coalizão e classificou a convocação do pleito como "inconstitucional".

Ashur explicou que o boicote se deve a que não existe "uma legislação eleitoral justa que aprove a limpeza do pleito" e a que não há garantias de um Poder Judiciário independente e estável.

O líder nasserista informou também que a FSN não irá ao diálogo nacional convocado pelo presidente egípcio, Mohammed Mursi, para hoje.

"Dissemos a Mursi: dialogue consigo mesmo e com seu partido porque o povo não aceita o diálogo", acrescentou.

O integrante da FSN asseverou que a reunião de hoje é "inútil", já que primeiro deve-se "conseguir uma reconciliação verdadeira e suspender o cerco às cidades do Canal de Suez", cenário de distúrbios nas últimas semanas.

"Não aceitaremos nenhum diálogo sobre os corpos dos mártires", enfatizou Ashur, que esboçou surpresa pela convocação de Mursi a um diálogo sobre a garantia da limpeza das eleições após tê-las convocado.

Além disso, expressou a rejeição do FSN a toda tentativa de "se apoderar da Constituição", redigida por uma assembleia dominada pelos islamitas, e de ser "uma mera decoração para um regime que usurpa o poder".

Em seu pronunciamento, rodeado por outros dirigentes da coalizão, Ashur pediu a formação de um comitê "jurídico neutro para revisar a Constituição e submetê-la novamente a plebiscito".

Após o anúncio do boicote, a sala explodiu em gritos de "que caia o governo do murshid! (líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badia)" e de "Deus é o maior!".

O anúncio oficial da FSN sobre o boicote às eleições acontece depois que vários dos partidos que integram a aliança afirmaram que não iam a participar das legislativas.

Entre os grupos que já tinham adotado a decisão está o Partido da Constituição, do prêmio Nobel da paz Mohamed El Baradei, e a Corrente Popular, do ex-candidato presidencial esquerdista Hamdin Sabahi.

Após o decreto de Mursi para convocar as eleições, El Baradei fez um apelo para boicotar a votação e desmascarar a "falsa democracia" no Egito.

No sábado passado, Mursi emitiu um decreto para antecipar a data de início das eleições legislativos, que começarão o 22 de abril e se desenvolverão em quatro etapas, a última das quais está prevista para o fim de junho.