A rotina dos moradores e comerciantes das proximidades da sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) ainda não voltou ao normal, mesmo um mês após a explosão, que vitimou fatalmente a policial civil Maria Amélia Dantas e deixou centenas de imóveis destruídos. No início da noite do dia 20 de dezembro de 2012, populares foram surpreendidos por uma explosão que chegou a um raio de dois quilômetros, atingindo quatro quarteirões e cinco ruas próximas à Ladeira dos Martírios, que liga o Farol ao Centro da cidade.
A reportagem do CadaMinuto esteve no local, um mês após as explosões, e constatou que alguns destroços ainda estão espalhados pelas vias, hoje vazias devido à evasão dos moradores. De acordo com um relatório da Defesa Civil Estadual mais de 110 imóveis foram atingidos, entre eles a residência do aposentado José Eliziário Nunes, 80, que teve as paredes rachadas, portas danificadas e grades arrancadas.
“Até hoje a minha vida não voltou ao normal. Tenho medo de ficar dentro dessa casa e ela cair, mas infelizmente não tenho para onde ir. Tem muita rachadura aqui, e até hoje ninguém apareceu para resolver essa questão”, relatou José Elizário.
Segundo o aposentado, ele mesmo teve que procurar os órgãos do estado para saber quando teria uma posição sobre a reforma do seu imóvel, mas não obteve nenhum resposta. Devido às danificações, o segundo andar do imóvel, onde eram os quartos, está praticamente desativado. Com 80 anos, Seu Elizário explicou à reportagem do CadaMinuto que muitos moradores deixaram seus imóveis e estão morando de favor em casas de parentes à espera de uma posição do estado.
Os comerciantes
O artista plástico Jânilson Andrade, em entrevista ao CadaMinuto, relatou a sua indignação com tratamento dado as proprietários de imóveis. “Algumas pessoas como eu que dependo do meu negócio tiveram que por conta própria arcar com os prejuízos, a espera que o estado venha ressarcir”, frisou.
Segundo Andrade, ele deixava o seu ateliê de pintura quando o impacto da explosão o arremessou para dentro do imóvel, que teve não só a estrutura física do prédio destruída, mas todo o material produzido pelos alunos. “Perdi tudo que estava dentro do prédio. Como não houve nenhuma posição, eu tive que alugar outro ponto e montar tudo que pedir para poder continuar dando as minhas aulas”, completou.
Para o artista plástico, o descaso com a população foi grande. “Nem ao menos o lixo, que ficou no local eles vieram recolher. Se não fosse os próprios moradores esse lixo todo ainda estaria nas ruas”.
A casa de decoração da empresária Lúcia Tomé está fechada para visita. Na fachada do imóvel é possível notar o estrago deixado pela explosão. Segundo Lúcia, ela ainda não conseguiu calcular o valor do prejuízo, com tantos dias parados. “Ninguém veio aqui. Alguns moradores irão se juntar com o escritório de advocacia para tentar a reaver todo esse prejuízo”, afirmou a empresária.
A reconstrução de um escritório de advocacia, localizado ao lado da Deic, já custou aos proprietários uma quantia de R$ 30 mil. “Nós fizemos um boletim de ocorrência e mandamos para Defesa Civil todas as fotos que fizemos. Estamos fazendo a reforma e juntando todas as notas para depois correr atrás do prejuízo, por que não podemos ficar parados”, afirmou o administrador Luiz Buarque.
O Estado
A reportagem do CadaMinuto entrou em contato com alguns órgãos do estado para saber sobre o andamento das indenizações dos moradores. O Serviço de Engenharia de Alagoas (Serval) informou que o órgão ficou apenas responsável pela produção dos laudos de engenharia das residências afetadas pela explosão, mas que o pagamento e demais procedimentos devem ser feitos por outras pastas.
A Secretaria de Defesa Social, órgão responsável pela Deic, afirmou que a indenizações era de competência da Defesa Civil, porém, a Defesa Civil informou que também não era de sua competência.




