A divisão é acompanhada de perto pela cúpula do partido, em especial pelo vice-presidente da República Michel Temer, que tenta a todo custo evitar que, após o resultado, as forças derrotadas formem blocos independentes, causando transtornos para o governo no Congresso.
Desde a semana passada, Temer reuniu-se com todos os candidatos e outros peemedebistas influentes e deu um recado claro. "A divisão da bancada não traz resultados para ninguém e o prejuízo é dividido por todos", relatou um membro do partido à Reuters sob condição de anonimato.
Neste momento, porém, pregar a união parece ineficaz, pois os três postulantes estão em busca de votos e para isso não têm poupado ataques e prometido que tornarão a bancada mais independente do governo do que na gestão de Alves.
Os três candidatos dizem ter votos para chegar ao segundo turno da disputa, mas evitam declarar que serão vitoriosos. E como a votação marcada para 3 de fevereiro, um domingo, será secreta, há deputados prometendo o voto para os três candidatos.
RELAÇÃO COM O PLANALTO
O deputado Eduardo Cunha lançou sua candidatura antes dos demais, mas sofre resistências no governo e por parte dos deputados peemedebistas que querem uma nova fórmula de divisão dos royalties de petróleo, cujos recursos são destinados majoritariamente para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.
Cunha já declarou que sua posição é contrária a uma nova divisão que prejudique seu Estado, mas avisou que não privilegiará sua posição pessoal sobre os interesses da bancada, tentando não perder votos dos deputados de Estados não-produtores.
O parlamentar fluminense disse à Reuters que a disputa na bancada "é boa" e "faz bem ao partido".
Cunha é visto por integrantes do governo como parlamentar difícil de negociar e, por vezes, chegou a ser acusado de chantagear o Palácio do Planalto em temas importantes. Ele rejeita essas acusações e diz que trabalhará pelos interesses do Executivo se comandar a bancada.
Mabel, que voltou ao PMDB em 2011 depois de sair do PR, diz não acreditar que a disputa resultará num racha permanente na bancada e promete trabalhar pela união dos liderados se vencer.No discurso aos colegas eleitores, no entanto, tem dito que será "duro" com o governo e defenderá os interesses da bancada.
Mabel reforça ainda que focará sua atuação nos interesses da bancada e não usará a liderança do partido para travar disputas internas. "O Eduardo (Cunha) tem um projeto de poder", disse sobre o adversário, indicando que Cunha tentará voos mais altos se chegar à liderança.
Os três candidatos estão do mesmo lado ao encampar o descontentamento dentro da legenda com o espaço ocupado pelo PMDB no primeiro escalão do governo.
O partido comanda cinco ministérios (Turismo, Minas e Energia, Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, Previdência e Agricultura), acha pouco e essa presença é alvo de reclamações recorrentes dos deputados e senadores.
O gaúcho Osmar Terra, que desde 2011 é um dos líderes de uma corrente interna chamada Afirmação Democrática, que prega maior independência do partido em relação a algumas posições do governo, rechaça que sua candidatura represente um risco para o Executivo.
Ele admite que a suposta desconfiança de alguns é alimentada por ter apoiado a candidatura do tucano José Serra em 2010 contra a presidente Dilma Rousseff. Mas diz que isso não quer dizer que trabalhará contra o governo se liderar a bancada.









