“Não vai parar por causa de greve nenhuma. Vai parar por que todos os médicos irão embora do estado”. Essa é a declaração do presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão, sobre o possível pedido de demissão coletiva de todos os médicos cirurgiões do Hospital Geral do Estado (HGE). 

Para Galvão, a Saúde no estado é caótica e não existe valorização dos profissionais da área, o que está resultando em uma grave evasão nas unidades públicas. Nesta quarta-feira (16), durante um encontro com o presidente do Tribunal de Justiça (TJ/AL) José Carlos Malta Marques, o sindicalista apresentou um relatório mostrando a situação das unidades hospitalares e pediu que o desembargador mediasse as negociações com o Governo do Estado. 

O documento é composto por 22 páginas de depoimentos de usuários e profissionais e 10 páginas com fotografias. Segundo Galvão, da proposta feita ao estado, de um reajuste de 100% do piso atual, com parcelamento até 2014, o estado ofereceu uma contrapartida de 10%. 

“Já entregamos esse relatório ao Ministério de Saúde, a ONU, ao Ministério Público, e a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, e na próxima semana estarei ingressando com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal, pedindo a responsabilização do estado com o caos que está a saúde em Alagoas”, afirmou Galvão. 

Segundo Galvão, o risco que se corre é que daqui a 30 dias o HGE ficar impossibilitado de funcionar devido à demissão dos médicos. “A tendência é pior a situação. Os médicos não estão mais suportando as péssimas condições de trabalho”, colocou o sindicalista, explicando que o piso do médico em todo o Nordeste é de R$ 5 mil.