Atualizado às 15h36.

Terror, medo, angústia, desespero e comoção. Foi assim que a noite de 20 de dezembro de 2012 ficou marcada para a população alagoana que presenciou a tragédia na sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), localizada no bairro do Farol. A morte da agente da Polícia Civil Maria Amélia Dantas e a descoberta de um paiol com diversos explosivos deixaram o clima ainda mais tenso, com moradores preocupados em ter como vizinho um ‘barril de pólvora’.

No dia seguinte, o CadaMinuto esteve no palco da tragédia e ainda é possível perceber as insegurança no semblante das pessoas que temem novos riscos de explosão. Equipes da perícia seguem no local realizando os levantamentos para descobrir o que provocou tal acidente, jamais visto em Maceió. A movimentação é intensa, tanto de policiais como da imprensa que a todo momento busca novos detalhes e respostas para a tragédia. 

Moradores descrevem momentos de terror durante explosão.

O cenário é de destruição, algo somente visto em guerra. Apesar da equipe não ter acesso às dependências da Deic, a constatação pelas fotos encaminhadas ao portal mostram que o prédio ficou totalmente destruído. A área segue isolada para evitar a entrada de pessoas e adiantar a conclusão do laudo que será produzido pelas equipes da Perícia Oficial. 

A situação não é muito diferente entre moradores e comerciantes da região próxima à Deic. O impacto destruiu residências, estabelecimentos comerciais e na manhã desta sexta-feira (21), a população começou a contabilizar os prejuízos. Portas foram arremessadas, vidros estilhaçados e o que restou para quem vivenciou as horas de terror foram o medo e a incerteza da segurança. 

Prejuízo

Para quem estava a poucos metros da explosão o susto foi muito grande. Segundo Micilene Bezerra, moradores e comerciantes acharam que o barulho provocado pelas explosões era de disparos de arma de fogo. "Quando ouvi os primeiros estrondos corri para os fundos da casa, em seguida ouvi mais explosões, foi aí que subi na escada, mas não vi nada e depois a última que foi muito forte voltei então para dentro da casa”, disse ela.

Micilene ficou preocupada, pois cuida de uma senhora de 82 anos e no momento em que voltou para dentro de casa tudo estava caído e quebrado no chão. “Abri a porta do quarto da dona Zezé e encontrei-a sentada na cama e ao redor dela todo o forro de PVC. As janelas ficaram quebradas, forro caído, lâmpadas com a fiação pendurada, portas de geladeiras abertas, além da caixa de água que estourou e a casa está cheia de água por todo lado”, concluiu Micilene.

No Ateliê Arte Bela, onde o artesão Janisson Andrade produz os quadros e dá aulas de pintura, não foi diferente. O teto também ficou totalmente destruído, o que ocasionou um grande prejuízo para ele. “Os alunos tinham acabado de sair da aula, foi então que começaram os estouros, quando fui olhar na porta deu a última explosão e nessa fui arremessado para dentro do ateliê, que começou a desabar o teto”, contou.

Além disso, Andrade afirmou ainda que as aulas são prioridade. “As aulas são para mim o mais importante porque são crianças e jovens que tem depressão e isso serve de terapia, essas crianças precisam das aulas. Tenho que procurar um lugar a partir da próxima semana para que as aulas não parem”, contou.

Veja abaixo fotos registradas pela equipe na manhã após a tragédia.