A atitude do governador do Estado, Teotônio Vilela Filho,em solidariedade ao ex-presidente Lula, não repercutiu bem no ninho tucano nacional. No Rio de Janeiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lamentou a decisão do governador de Alagoas em sair na defesa do Lula.

"É simplesmente lamentável”disse ele no jornal da manhã da Rádio Jovem FM. FHC comentou ainda, que Teotonio não estaria tomando uma posição só porque o ex-presidente Lula o tratou na sua gestão. No entanto, disse ele, o governador alagoano estava dando o seu desagravo pelo envolvimento de Lula no caso ”mensalão” e o mais recente escândalo da operação “Porto Seguro” e o possível envolvimento com Rosemary Noronha.

Outro que reforçou as críticas, foi o presidente Nacional do PSDB, deputado federal Sergio Guerra. Em Brasília, o político foi contra o apoio do Teotonio Vilela, dizendo, "Lula é um brasileiro com história e tem estima de muitos. Agora, ele não está acima do bem e do mal."
Acrescentando, Guerra afirmou que "a sociedade está esperando um esclarecimento de todas as denúncias envolvendo a figura do ex-presidente. Esses esclarecimentos serão importantes para o próprio Lula”, frisou Sergio Guerra.

APOIO DE TEOTÔNIO

Por sua condição de retirante nordestino e ex-presidente da República, Lula foi desagravado em São Paulo, na terça-feira, por oito governadores de diferentes partidos devido às acusações que lhe foram feitas pelo operador do “mensalão”, Marcos Valério. Segundo o ex-publicitário, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 40 anos de cadeia, o ex-presidente pagou “despesas pessoais” com dinheiro do esquema, embora não tenha apresentado provas.

Por acusação igual, Fernando Collor de Mello perdeu o mandato. Coube ao governador de Alagoas, Teotônio Vilela(PSDB), que é filiado ao PSDB, explicar as razões do desagravo. Segundo ele, o Brasil nem sempre faz justiça aos seus grandes homens públicos.

É necessário, portanto, disse ele, preservar a imagem dos dois últimos presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente, pelo que fizeram pelo país. O primeiro acabou a inflação com o Plano Real e o segundo distribuiu renda com políticas sociais.

Até aí, assiste razão ao governador alagoano cujo pai, o ex-senador Teotônio Vilela, combateu o regime militar e lutou pela anistia. Mas em respeito aos governadores que foram a São Paulo desagravá-lo, o ex-presidente Lula deve uma explicação ao país sobre dois episódios em relação aos quais silenciou: a demissão de Rosemary Noronha da chefia de gabinete do escritório da presidência da República na capital paulista e as acusações de Marcos Valério.