A trilha do Pão de Açúcar utilizada pelo alpinista Bruno Mendes da Silva, de 33 anos, foi interditada para realização de perícia, por instrutores de rapel da Acadepol e peritos da Polícia Civil. A informação é da delegada Andréa Nunes, titular da 10ªDP (Botafogo), onde o caso está sendo investigado. Bruno morreu durante uma escalada no local, ao despencar de uma altura de 60 metros.
Segundo a delegada, o material usado por Bruno também será periciado pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). A polícia informou que será verificado ainda se a vítima estava utilizando equipamento de proteção individual.
A delegada afirmou também que vai ouvir a mulher que acompanhava Bruno na trilha, além de representantes do Pão de Açucar, da Federação de Alpinistas e testemunhas.
O resultado das investigações, segundo a polícia, poderá esclarecer se houve falha humana, falha do equipamento ou problemas na trilha.
O alpinista Bruno Mendes da Silva será enterrado na tarde desta segunda-feira (3), no Cemitério Maruí Grande, no Centro de Niterói.
Amiga descarta imprudência
Familiares de Bruno estiveram na manhã desta segunda no Instituto Médico Legal (IML) para fazer a liberação do corpo. Bastante abalada, a esposa, Aline, não quis se pronunciar. A gerente de RH da empresa onde o geofísico trabalhava, Caroline Luppi, disse que o esporte era a paixão do alpinista.
“Ele gostava, era uma paixão dele. Ele fazia isso fora do Rio, aqui no Rio, então, foi uma fatalidade, e a gente só tem a lamentar em função da pessoa que ele era. Ele era um cara superbacana, superquerido. Hoje a gente está de luto mesmo”, declarou.
A amiga, contudo, não acredita na possibilidade de imprudência e declarou que foi um acidente. “Ele tinha bastante prática, não foi uma ação imprudente, foi um acidente, ele fazia isso todo domingo, então, em algumas notas da imprensa saiu que ele não tinha experiência, que foi imprudência, não é verdade, ele fazia isso todo fim de semana”.
Caroline disse que a família está em estado de choque. "As informações que a gente tem estão bem limitadas a preocupação agora é fazer o sepultamento dele e acabar com essa parte do sofrimento, passar desse momento”, completou.
Federação constatou que cabo estava rompido
Após uma vistoria na via Ferrata, no Morro do Pão de Açúcar, a Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (Femerj) constatou que o cabo de aço que segurava o alpinista Bruno Mendes da Silva estava rompido. A informação foi confirmada ao G1 na manhã desta segunda-feira (3) pelo presidente da Fermerj, Delson Queiroz.
O presidente explicou que a vistoria estava marcada para esta segunda-feira (3). No entanto, segundo ele, os fiscais conseguiram acessar o local na noite de domingo (2).
Outra alpinista que estava com ele, identificada como Andréia Pereira, de 40 anos, sofreu pequenas escoriações. Ela foi atendida no Hospital Miguel Couto, na Gávea, na Zona Sul, e liberada.
Ainda segundo Delson, mesmo após a vistoria, os fiscais ainda vão verificar o que realmente causou a queda de Bruno. "Nosso objetivo é esse. Mesmo com o rompimento do cabo, ainda não entendemos como e o que ocasionou esta queda. Sabemos que Bruno seguia na frente da corda como guia da escalada e estava preso por uma corda a Andréia. Agora vamos aguardar", completou.









