A Exposição de Ciência e Tecnologia (Expocit), promovida pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, selecionou cinco pesquisas científicas desenvolvidas por alunos da rede pública estadual de Alagoas para participar da 3ª edição do evento, realizada entre os dias 07 e 09 deste mês, no município de Macaé, no Rio de Janeiro, com exposição de trabalhos nas áreas de Exatas, Engenharia e Ciências Biológicas, Agrárias e Sociais.

As pesquisas dos estudantes alagoanos foram desenvolvidas em duas escolas da rede pública nos municípios de Arapiraca e Lagoa da Canoa, no Agreste do Estado. A delegação, que viajará para o Rio de Janeiro nesta terça-feira (06), conta com nove estudantes e três professores, dentre eles Nadja Maria Alves, orientadora dos projetos, Rejane Rolim Barbosa e Luciana Tener Lima, ambas co-orientadoras.

Durante a feira, os estudantes irão apresentar os trabalhos que serão analisados por uma comissão avaliadora da organização do evento. Os melhores projetos receberão diversas premiações, além de terem garantido o credenciamento em outras feiras e bolsas de estudos.

Pesquisas que representam Alagoas

A Escola Estadual Izaura Antonia de Lisboa, em Arapiraca, será representada por três pesquisas. O poder formicida da combinação do alho, Cravo-da-índia e solventes, descoberto pelos estudantes do 3º ano do Ensino Médio, Manoel Roberto de Souza e Afonso Pereira, 17 anos, foi um dos projetos escolhidos.

Recentemente, os alunos da Escola Estadual Antônia Izaura de Lisboa, em Arapiraca, estiveram na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo (RS), e conquistaram o terceiro lugar com a descoberta da ação larvicida da folha da taioba, em mostra do Movimento Científico do Norte-Nordeste (Mocinn), no Pará.

Gleysse Taynar Gomes e Mikaelle Aryelle de Lima aprofundaram sua pesquisa e realizaram uma avaliação da eficácia dos corantes naturais amarelo e azul extraídos dos frutos verdes e maduros do jenipapo. Elas também estiveram na Mocinn, no Pará, e, em agosto deste ano, participaram do London International Youth Science Forum, um dos mais importantes eventos científicos do mundo.

Já os alunos José Anderson de Farias Silva e Claudberg Bem Pantaleão, encontraram um alternativa natural para aliviar as cólicas renais a partir das propriedades terapêuticas da planta costus spiralis.

Os jovens cientistas mostram o orgulho de representar Alagoas e acreditam que a participação nas feiras ajuda no conhecimento e na troca de culturas entre os povos. “É gratificante viajar para mostrar nossos trabalhos e os projetos desenvolvidos pelas nossas escolas. A feira é maneira de trocar conhecimento e formar novas relações de amizades”, acrescentou Manoel Roberto.

Lagoa da Canoa - Em Lagoa da Canoa, Carlos André Lima Silva e Carlos Henrique Silva, da Escola Estadual Nossa Senhora da Conceição, concluíram que, a partir das folhas de sambacaitá, muito encontrada naquela região, é possível produzir pomada e sabonete para utilização no processo alternativo de prevenção, minimização ou cura de sintomas de afecções cutâneas. “Pela primeira vez vamos levar nosso projeto para uma feira. Quem sabe conseguiremos trazer um prêmio para nosso Estado”, disse Carlos Henrique.

Na mesma escola, um estudo revelou que a semente da moringa, com sua ação coagulante e sedimentante de materiais minerais e orgânicos, apresenta potencial para ser utilizada no processo de tratamento de água da região. A pesquisa foi desenvolvida pelo estudante Johnny Pereira Gomes, que avalia os trabalhos científicos produzidos na escola como uma combinação perfeita entre estudos e crescimento humano.

“Quando a gente começa a desenvolver uma pesquisa adquire confiança e ainda temos melhorias como aluno e como pessoa. São esses projetos que nos fazem ter a consciência de que a escola é muito mais que uma sala de aula, mas um espaço que agrega valores e que poderão ser revertidos no futuro para o próprio desenvolvimento da instituição, pois somos parte integrante dela”, acrescentou Johnny Pereira.

Incentivo à pesquisa no Estado

Somente em 2012, as pesquisas desenvolvidas pelos alunos de escolas da rede pública estadual foram apresentadas em cinco mostras científicas: Febrace, em São Paulo; Fenecit, em Pernambuco; Mocinn, no Pará; Mostratec, no Rio Grande do Sul; e Fórum Internacional, em Londres. A Expocit é a sexta mostra que contará com representantes alagoanos.

A escolha das pesquisas, de acordo com uma das orientadoras, a professora Nadja Alves, se dá pelos critério de relevância social e pela metodologia científica aplicada. “São descobertas que podem ser utilizadas pela própria comunidade, porque são de baixo custo. E, por serem naturais, não apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente”, explica Nadja.

As co-orientadoras dos projetos, Rejane Rolim e Luciana Tener, acrescentam que além de expor os projetos produzidos em Alagoas, as mostras científicas se tornam relevantes também no quesito incentivo à pesquisa no Estado, já que o destaque dos trabalhos atraem novos interessados nas unidades de ensino.

“Nossas escolas são agraciadas com os trabalhos dos estudantes. Isso se torna fundamental na relação aluno-professor e no processo de aprendizagem. Os projetos trazem ainda o incentivo a pesquisa com a participação de novos estudantes que se entusiasmam com tudo o que vem sendo produzidos nas escolas. Mas o importante mesmo é que conseguimos fazê-los enxergar a pesquisa como algo que acrescenta em suas vidas”, finalizou.