Trinta testemunhas já foram ouvidas no processo sobre a morte do estudante universitário Douglas Vasconcelos, ocorrido em setembro de 2007, após o seu desaparecimento quando seguia para um show da cantora Ivete Sangalo, no bairro do Jaraguá. O processo estava parado na 9ª Vara Criminal deste que o juiz titular, Geraldo Amorim, precisou se ausentar para um tratamento de saúde. Os restos mortais do estudante foram encontrados no dia 05 de outubro, em um canavial no município de Roteiro. 

Nesta segunda-feira (29), os depoimentos foram retomados para dar início à fase final do processo e seguir para julgamento. Os acusados de serem os autores materiais do crime, José Carlos Júnior, e o primo, Kleberson Luciano, também serão ouvidos. Entre as testemunhas, está a psicóloga de Douglas, que o acompanhou durante a recuperação da cirurgia de redução de estomago. 

À época, durante as investigações, a Polícia encontrou manchas de sangue no veículo que pertencia à tia de Júnior. O material colhido foi insuficiente para detectar o DNA nas marcas presentes no extintor do carro, tapete e bancos, possivelmente devido à limpeza feita no veículo. Para o advogado defesa dos acusados, Welton Roberto, não há nenhum indício material que ligue a vítima aos acusados. 

Welton afirmou ainda que todos os sigilos telefônicos, bancários e de internet dos acusados foram quebrados, e nenhuma prova foi encontrada. “Não há ligação deles com a vítima. A acusação que estão fazendo contra esses dois é uma mentira deslavada”. Segundo o advogado, a vítima mantinha uma paixão platônica por Júnior, que inclusive teria sido o motivo de uma tentativa de suicídio cometida por Douglas, em 2007. 

Júnior ficou detido no Sistema Prisional de Alagoas durante três meses após a sua prisão. O advogado da família, Raimundo Palmeira, afirmou à imprensa, que a psicóloga disse durante o depoimento que Douglas a confessou que mantinha um relacionamento com um homem, mas que ela não sabia dizer quem era. Ainda na oitiva, a psicóloga afirmou que a vítima tentou suicídio para chamar a atenção da pessoa com quem se relacionava. 

Nessa fase final, o juiz Geraldo Amorim relatou que fatos novos surgiram no caso e que acredita que após a conclusão desses depoimentos possa dar andamento a data do julgamento. Amorim disse que aguarda a defesa das partes para decidir se os acusados irão a júri popular. Tanto acusação, como a defesa tem cinco dias para apresentar a defesa técnica. 

Mãe 

A empresária Gracileide Oliveira de Vasconcellos, mãe de Douglas, acompanha a audiência de instrução no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes. Em entrevista ao CadaMinuto, Gracileide falou as sua expectativa de os acusados serem levados a júri popular e pagar pelo crime. 

“Foram 26 dias de tortura e sofrimento até o corpo do meu filho ser encontrado”, disse Gracileide.