Beirute, 17 out (EFE).- O mediador internacional Lakhdar Brahimi considerou, nesta quarta-feira, que se as partes sírias aceitarem sua proposta de trégua durante a festa mulçumana Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), na próxima semana, será o início do caminho para dar um fim à crise no país.

'Se as partes resolverem acatar a trégua durante a festa que começa em 26 de outubro, poderia ser o começo de uma mudança na situação da Síria, que corre o risco de se estender por toda a região árabe', disse Brahimi em entrevista coletiva em Beirute.

Neste sentido, o mediador advertiu que 'a crise não vai ficar confinada no território sírio, por isso que ou se encontra uma saída ou a crise se agravará e se estenderá'.

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe fez as declarações depois de se reunir com o presidente do Líbano, Michel Sulieman, e o primeiro-ministro, Najib Mikati, em contatos que qualificou de 'muito úteis'.

Segundo disse, a 'trégua poderia contribuir para manter conversas com os líderes regionais e internacionais para pôr fim à crise'.

Brahimi lembrou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a todos os países que fornecem armas às partes conflito que parem de fazer.

'O que aconteceu na Síria é perigoso e deve fazer com que todo mundo se comprometa com o que está ocorrendo, já que todos são responsáveis e deveriam buscar um modo de tirá-la do buraco no qual está submergida', assinalou Brahimi.

O mediador árabe, que está no Líbano, passou também pelo Egito, Irã, Turquia e Arábia Saudita.

No Cairo, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, expressou seu apoio ao plano de Brahimi.

'Todos os estados e as organizações, tanto árabes como internacionais, têm que cooperar para que a trégua entre em vigor', disse.

Segundo Al Arabi, se a trégua for respeitada, o derramamento de sangue cessará e será possível oferecer ajuda humanitária à população.

Após a estadia de um dia no Cairo, o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para Síria viajou ao Líbano e deve passar por Amã e Damasco nos próximos dias.

Na terça-feira, o governo sírio expressou seu 'compromisso' com as iniciativas dos mediadores internacionais, em alusão à proposta de Brahimi, enquanto os rebeldes se mostraram a favor de um cessar-fogo indefinido.

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