Maria Nazaré da Silva Lima, de 55 anos, e Francisco Lima, de 60, vivem na região do Assentamento Estadual do Serrote Feio, no município cearense de Madalena, há cerca de 30 anos. Há 12, mudaram-se para a casa onde vivem hoje. O casal tem oito filhos e seis netos. Na residência em Serrote Feio, Maria Nazaré e Francisco moram com duas filhas e um neto.
Por muito tempo, a família teve que guardar água da chuva em pequenos recipientes para enfrentar a estiagem. Agora, a situação mudou: o casal já tem como armazenar água em volume bem maior para suportar longos períodos de seca. A cisterna de placa construída na casa de Maria Nazaré e Francisco é a de número 500 mil entregue no Semiárido por meio do Programa Cisternas, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
Maria Nazaré trabalha como merendeira em uma escola municipal da região. Recebe o Bolsa Família, no valor de R$ 102 mensais, para manter na escola a caçula, Fátima, de 12 anos. A filha Cristiane, que mora com os pais, também é beneficiária do Bolsa Família. Ela tem um filho de 7 anos que estuda na mesma escola municipal onde a avó trabalha.
Roça – Além dos benefícios, usados para comprar o material escolar das duas crianças, roupas e alimentos, a família sobrevive da aposentadoria de Francisco e do salário de Maria Nazaré. A roça de subsistência e a criação de meia dúzia de galinhas e uma ovelha complementam a alimentação. Na pequena vila, que tem apenas cerca de dez casas, ter uma cisterna era um sonho.
Maria Nazaré perdeu a conta de quantas vezes ela e o marido tiveram de aparar a água da chuva em baldes, bacias ou qualquer recipiente que estivesse ao alcance. “Era uma correria só. Se chovesse de madrugada, a gente tinha de acordar pra colocar o balde na ponta da bica. Era o único jeito de ter água em casa.”
Essa água da chuva era usada para beber, cozinhar, tomar banho e dar aos animais. Durava dois ou três dias, no máximo, porque os recipientes eram pequenos e armazenavam pouca quantidade. Quando a estiagem chegava, seu Francisco tinha de buscar água no açude, a alguns quilômetros de casa. Trazia os baldes cheios no lombo do jumento. Uma água amarelada, salobra e, às vezes, malcheirosa era a única que abastecia a residência.
Agora, com a cisterna, a família comemora. “Não dava mais para depender do açude. A água de lá está cada vez pior. A gente só usava porque não tinha outro jeito”, diz Maria Nazaré.
Francisco, que ajudou a construir a cisterna da própria casa, olha para o tanque com orgulho e se alegra por não ter que aparar água da chuva em balde nem buscar no açude. “Saber que é só ir ali, bombear e pegar água para beber e cozinhar é uma coisa muito boa. Só a gente que vive aqui sabe o que é.”