A reinvenção da cooperação diante das novas realidades políticas e econômicas da América Latina e da península ibérica será o tema central da cúpula que será realizada no mês de novembro em Cádiz, afirmou neste sábado o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias.

O objetivo da reunião de cúpula, que foi "apresentado pelo governo da Espanha em sua condição de país sede da conferência, é repensar o papel da cooperação ibero-americana diante das mudanças que ocorreram nos países envolvidos desde 1991, quando nasceu a cúpula", disse Iglesias em entrevista coletiva na capital panamenha.

O político uruguaio argumentou que no plano político, ao contrário de duas décadas atrás, os países ibero-americanos "estão muito mais organizados em suas respectivas regiões geográficas e, principalmente, mais seguros de suas democracias".

No aspecto econômico, Iglesias destacou que atualmente a Europa é uma região com problemas graves, enquanto a "América Latina cresceu", levando em consideração que seu "produto interno bruto (PIB) foi quase triplicado".

A "ideia" é que os chefes de Estado e de governo que se reunirão entre os dias 16 e 17 de novembro na cidade Cádiz, no sul da Espanha, "reflitam sobre como adaptar essa cooperação às novas realidades".

Nesse contexto, Iglesias assinalou que os Estados poderiam promover a fusão das pequenas e médias empresas (Pequenas e médias empresas) para "melhorar a produtividade de um setor que gera muitos empregos".

Atualmente, a Espanha possui "um grande interesse em trabalhar com a América Latina. As empresas espanholas estão todas tentando vir (...) do mesmo modo há importantes movimentos migratórios vindo da Europa (...). Essa é outra forma de cooperar", assinalou.

Os países de região ibero-americana também têm que "sair juntos para defender a criação de instituições que podem servir para melhorar o investimento na região", como, por exemplo, "organismos de competitividade" e "um Centro de Arbitragem de Disputas ao serviço das Pequenas e médias empresas", disse o secretário-geral ibero-americano.

Além de debater a nova realidade da cooperação, a cúpula de Cádiz celebrará "os 200 anos da primeira Constituição liberal na história da região ibero-americana e do mundo", destacou Iglesias.

"Estamos confiantes que a XXII Cúpula Ibero-Americana vai ser uma reunião dinâmica, que vai apresentar resultados interessantes e concretos sobre a mesa", completou.

Em relação à organização da cúpula, Iglesias adiantou que haverá uma jornada dedicada aos jovens, outra aos empresários, e que a "novidade" será uma reunião privada somente entre os presidentes, sem ministros", na qual seguramente falarão com mais "liberdade" aos temas apresentados.

"A cúpula é uma grande oportunidade para o diálogo, o debate, para dirimir temas no interesse de todos. Os temas serão levantados pelos governos, e o de segurança seguramente estará presente, entre muitos outros", concluiu Iglesias.