Marcos Valério, um dos 38 réus do mensalão, nunca teve formação em propaganda ou marketing. No entanto, o suposto esquema conhecido como mensalão consagrou Valério como publicitário.
O título não é por acaso. Apesar de trabalhar por muitos anos no ramo financeiro, ele ingressou como sócio, em 1996, na agência de publicidade SPM&B Comunicação. Tempos depois, tornou-se sócio, também, da DNA Propaganda.
A partir de então, teria aproveitado a sociedade no ramo da propaganda para desviar dinheiro público — o chamado “valerioduto” (veja abaixo como funcionava). Os recursos serviram para alimentar o suposto esquema de pagamento de propinas a parlamentares, segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República.
Marcos Valério é réu no julgamento do mensalão no STF por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.
Em outras esferas, Valério também respondeu a processos. A primeira condenação é por sonegação de R$ 90 milhões e falsificação de documentos. A pena foi de nove anos e oito meses de prisão.
A segunda condenação é por ter falsificado uma alteração no contrato da SPM&B para camuflar condições de um empréstimo de R$ 7 milhões do Banco Rural. A decisão é de 2011, e ele foi condenado a seis anos e dois meses de prisão.