A Polícia Federal (PF) desarticulou nesta quinta-feira uma quadrilha que atuava em aeroportos para remeter drogas ao exterior. Durante a operação, batizada de Conexão Remota, foram cumpridos 39 mandados de prisão. A organização era comandada por nigerianos residentes no Brasil que recrutavam pessoas, conhecidas como "mulas", para transportar a cocaína para Europa, Ásia e África.
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De acordo com a PF, a investigação começou após a prisão de uma marroquina, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, que tentava embarcar com 4,7 kg de cocaína. Ela foi absolvida ao final do processo criminal por ter alegado inocência. Apesar disso, foi constatada sua ligação com o principal integrante da organização criminosa investigada, um nigeriano de 46 anos.

As "mulas" eram aliciadas nos continentes europeu e africano e também no Brasil, e recebiam até US$ 8 mil por viagem. A cocaína era transportada escondida em bagagens ou sob as roupas e ainda em forma de grandes cápsulas que eram engolidas por essas pessoas.

Os líderes da organização criminosa não possuem bens, móveis ou imóveis, declarados em seus nomes no Brasil. Constatou-se que todo o lucro obtido com a exploração do tráfico internacional de drogas era enviado, de modo ilegal, à Nigéria para ser investido no mercado imobiliário, principalmente. Apenas um dos investigados movimentou quantia superior a US$ 3 milhões em apenas 75 dias.

Durante a investigação, 34 "mulas" foram presas em flagrante e apreendidos mais de 70 kg de cocaína. Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação criminosa, financiamento do tráfico, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, cujas penas máximas somadas superam 60 anos de prisão. Caso condenados pela Justiça, os estrangeiros poderão ser expulsos do País após o cumprimento da pena e não mais poderão retornar.