Um dos cardiologistas mais conhecidos do país está de volta ao trabalho depois de se recuperar de um enfarte. Ninguém está livre das doenças cardíacas. Não dá para descuidar mesmo.
Na mesa de trabalho o destaque é para aquilo que tomou uma vida de dedicação e que também roubou duas semanas da agitada rotina do Doutor Adib Jatene.
No dia 23 de maio, o cardiologista acordou com dores no peito. Tinha uma boa ideia do que aquilo poderia significar. Sem perder a tranquilidade habitual, dirigiu-se ao hospital do coração, onde é diretor-geral, e se submeteu imediatamente a um eletrocardiograma.
“Eu vi que estava alterado o eletrocardiograma. Então, eu vim para minha sala, peguei o telefone e liguei para o Dr. Eduardo Souza, no Dante. Disse: ‘Dr. Eduardo, eu estou precisando de você, porque eu acho que eu estou enfartando”, conta o médico.
O cardiologista que cuidou do coração de inúmeros pacientes e já fez mais de 20 mil cirurgias ao longo de sua carreira estava mesmo enfartando.
Meia hora depois de chegar ao hospital, foi feito um cateterismo para a colocação de um stent, uma espécie de molinha, para desobstruir uma artéria e liberar a passagem do sangue.
“O infarto vai destruindo as células ao longo do tempo, por isso que o tempo é importante. Se você deixa passar e fica achando que é uma coisa pouco importante, você tem problema”, explica o cardiologista.
Adib Jatene se destacou como cirurgião e até como inventor. Ficou conhecido por realizar a primeira cirurgia de ponte de safena no Brasil. Desenvolveu um aparelho coração-pulmão artificial e ainda hoje trabalha na criação de novos equipamentos médicos. Foi ministro da Saúde nos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
Ele sempre se preocupou com a própria saúde. Nunca fumou e durante toda a vida, praticou esportes, controlou o peso, o colesterol, o triglicérides.
“Eu sempre me cerquei dos recursos de prevenção possíveis. Agora, há um que não é possível, que é a herança genética. Então, as artérias que eu tenho, se eu não tivesse tomado esses cuidados, provavelmente eu não chegaria aos 83 anos”, comenta Jatene.
O doutor Jatene lembra que depois dos 40 anos é importante fazer o exame ergométrico para ver se há alteração no eletrocardiograma.
Ele alerta: se você se sente mais cansado fazendo o esforço que estava acostumado a fazer, deve procurar um médico rapidamente. Isso pode ser um sinal de que o coração não está bem.