A Casa do Patrimônio do IPHAN – Maceió, está promovendo a exposição “1/3 do Nordeste” que será aberta no dia 06 de Julho e ficará até o dia 05 de agosto de 2012. A Exposição “1/3 do Nordeste” tem a fotografia como elemento de narrativa na linguagem visual documental de uma região: o nordeste, e em especial Alagoas. São Fotografias em preto e branco, que possui um traço estético singular, onde foi retratada uma Alagoas devastada por enchentes, secas, sua cultura popular e seus costumes. tecnicamente as fotos são em preto e branco, tanto digital quanto analógico - técnica da qual dispõe de total interesse em revelar seu próprio filme fotográfico. Intenção de alto contraste e grãos do filme, dando destaque aos traços de pele e ângulos poéticos.


Que a vida do nordestino pobre é dura, todos sabemos. Dura, aliás, como a de qualquer pobre.
Ver os pés do nordestino pisando o chão gretado pelas secas inclementes, todos já viram. Vê-los pisando os destroços do que sobrou depois de uma chuva que lavou os sinais da existência de praticamente toda uma cidade, já não seria tão ordinário.
Nos últimos três anos, Rita Moura vem percorrendo cidades do nosso Estado, buscando gestos e olhares, juntando peças de um mosaico que quase nunca compõem uma imagem reconfortante.
Suas fotos são imagens de contrastes gerados pelos elementos que tanto nos dão a vida como podem destruí-la.
Rita exacerba esses contrastes através de claros-escuros levados a extremos, como os do clima que deixa a vida em eterno suspense, à mercê dos imprevistos ou do previsível ignorado.
Sol e chuva, vida e morte, desesperança e fé, em um ciclo infinito. Até que o sol deixe de brilhar.

Sobre a Artista

Graduando em Jornalismo, Rita Moura já caminha numa pós-graduação em fotografia digital em Recife.
Com alguns projetos publicados na revista Semente em pesquisa científica, ligadas ao cinema e a fotografia, “Cinema Contemporâneo Alagoano: A Instituição Imagética da Brasilidade” e "os ex-votos e a fotografia". Ministrou palestra na UFAL, com o tema “Olhar fotográfico”. Assume influência em Artes Visuais – onde já fez curso de extensão em história da arte – também faz referência em seus trabalhos na visão do pensar a imagem.
“Poderia viajar capturando o mundo ou simplesmente criando mundos particulares com o olhar. A fotografia me agrada pela liberdade criativa e pelo instante, gosto de ler imagens e projetá-las de maneira simples. Seja com material analógico ou digital, me interesso pela técnica, narrativa e poética visual". (Rita Moura)
Sobre o projeto em exposição
Nome da exposição - “1/3 de Nordeste”
Traço estético singular, no ensaio “1/3 de nordeste” represento Alagoas, passando por cidades devastadas por enchentes, secas pela falta de chuva, histórica pela cultura popular e dos costumes. Fortes contrastes no preto e branco para destacar cada detalhe do objeto na ausência de cor, absorvendo o elemento narrativo e o estético drama visual, o destaque desse trabalho é a representação que o tema nordeste impõe por uma narrativa em traços únicos em fortes contrates e ângulos.

Referência Visual
Tiago Santana (temática e ângulos), Sebastião Salgado (dramaticidade) e Cartie Bresson (Instante).
Técnica
Preto e Branco, tanto digital quanto analógico - técnica da qual dispõe de total interesse em revelar seu próprio filme. Intenção em alto contraste e grãos do filme, dando destaque aos traços de pele e ângulos poéticos.
 

Entrevista com a artista

A principal motivação, acredito que tenha sido meu interesse pela leitura visual. Representar 1/3 do meu Estado, em fotografias, com referência no Nordeste em traços únicos já é uma grande motivação, ir além do olhar documental por essas estradas, mas narrar a beleza poética e os contrastes no tom de preto e branco. Nem sempre o que se vê é confortante aos olhos, mas a singularidade do belo está no sutil, e poder ler e projetar esse sutil em imagens me fez ter a iniciativa de narrar esse projeto.
Qual a tua pretensão com essa iniciativa?
Mostrar um novo olhar sobre um tema que já se tornou ordinário. Fazer lembrar a beleza que existe diante desse tema e que é possível trabalhar em cima do que já foi visto, e aplicar um novo angulo.
O que te sensibilizou nessas andanças?
A simplicidade, os gestos e os olhares. E foi o que tentei transmitir diante de um sol forte a sensibilidade de um povo muitas vezes maltratado, mas feliz na sua singularidade.
Quais as cidades que visitou?
Penedo, Messias, União dos Palmares, Murici, Marechal Deodoro (interior), São Bento, Tribo Xucuru Cariri, Tribo Wassu Cocal, Massagueira, Favela Jacaré, Maceió, Branquinha, Palmeira dos Índios, Joaquim Gomes. Entre outros caminhos, vilarejos, ruelas, trilhas a pé, comunidades.
Em Regiões percorridas de Alagoas:

Grande Maceió, Litoral Norte, Zumbi, Baixo São Francisco, Vale do Paraíba (Mata), Litoral Sul.