A forte desaceleração do IPCA de 0,36% em maio para 0,08% em junho um como principal responsável o carro novo. Com a redução do IPI, os preços baixaram, influenciando para baixo ainda o preço dos carros usados, explicou nesta sexta-feira (6) Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado de junho é o menor desde agosto de 2010, quando ficara em 0,04%.

“Transporte é um segmento de impacto grande no índice geral de preços e é um item importante na renda das famílias. A desaceleração do IPCA se deve especialmente à redução de preços no grupo de transportes”, disse Eulina, ao anunciar o IPCA de 0,08% em junho.

A coordenadora do IBGE disse que, segundo informações da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de carros pequenos e médios (chamados na indústria de carros comerciais leves), aumentaram 24% em junho.

“O mercado de usados também tomou pulso e os preços caíram bastante. As motocicletas seguem o padrão dos automóveis por causa da grande procura”, explicou.

Ainda em relação aos transportes, a coordenadora do IBGE explica que os combustíveis também ajudaram a puxar a inflação para baixo.

“O preço do etanol está caindo em relação a meses anteriores em função da safra de cana-de-açúcar, e isso tem influencia também no preço da gasolina que conteve índice de junho”, explicou.

Quem sentiu mais a inflação
Segundo Eulina, a inflação foi menos sentida no grupo de renda familiar de 1 a 40 salários-mínimos, faixa que pode comprometer sua renda com bens de preços de mais valor, como os automóveis, que caíram de preço.

Já o faixa de baixa renda sentiu a inflação de forma mais intensa porque os alimentos, item no qual o grupo mais compromete seu rendimento, apesar de apresentarem queda na variação de preços, ainda mostram preços altos. De 0,73% em maio, o índice caiu para 0,68% em junho.

“Os preços dos feijões, que haviam aumentado 9,10% em maio, apresentaram queda de 1,63% em junho. Mesmo assim, acumulam alta de 46,82% no ano, tendo em vista a menor oferta do produto, em consequência da redução de área plantada e de problemas de clima que afetaram as safras. O governo até tomou previdências como importar feijão para complementar a safra”, disse.

Preço do pão
Entre os alimentos que mais aumentaram de preço estão tomate, uma cultura mais delicada às mudanças climáticas, feijão mulatinho e feijão preto, que também tiveram safras prejudicadas pelo clima, e pão de forma e pão francês, entre outros. Os pães, segundo Eulina, ainda precisam de mais análises que expliquem a variação para cima, uma vez que a farinha de trigo, ingrediente básico dos pães, não apresentou alta. Para Eulina, uma explicação pode ser a influência do dólar nos insumos da agricultura do trigo, puxando para cima o preço produto final, embora a farinha de trigo permaneça estável, possivelmente devido aos estoques.

O transporte público também tornou a inflação mais pesada para o grupo de baixa renda. Segundo Eulina, as tarifas de ônibus aumentaram, por exemplo, em Salvador, na Bahia, 12%; e em Goiânia, Goiás, 8%.

No IPCA de junho, o item habitação também ajudou a baixar o índice, principalmente pela redução da taxa de energia elétrica em algumas regiões do país, como em Fortaleza, capital do Ceará, onde a queda chegou a 5,42%, em função da redução do PIS/Cofins/Pasep.

INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, divulgado com o IPCA, variou 0,26% em junho, após subir 0,55%, em maio. Com isso, o primeiro semestre do ano fechou em 2,56%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,90%.