O padre Antônio Vivaldo de Oliveira Lima, 43 anos, sobreviveu a uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrida em Penedo. Internado no Hospital Regional da cidade ribeirinha, padre Vivaldo revelou – com exclusividade – detalhes do atentado que sofreu na noite de segunda-feira, 04, quando foi esfaqueado por um jovem.
“Eu celebrei missa às 18 horas em Rancho Alegre e de lá segui em direção a Feliz Deserto”, contou o pároco de São Sebastião, município agrestino onde atua há três anos. A viagem que fazia para visitar o padre e amigo Gilberto Pinheiro, responsável pela paróquia de Feliz Deserto (município situado no Litoral Sul, vizinho de Coruripe), acabou de forma violenta por volta das 20h30.
A Abordagem
“Eu estava chegando no Trevo da Paisa quando um carro saiu da pista que leva até a usina e entrou no girador, então eu precisei reduzir muito a minha velocidade. Foi aí que o ladrão, um rapaz jovem, apareceu de repente, já com a faca na mão. Eu gosto de dirigir com os vidros abaixados e por isso ele conseguiu abrir a porta de trás e entrar no carro”, relatou o religioso que é natural da cidade de Anadia-AL.
Obrigado a guiar sob ameaça da arma branca, padre Vivaldo disse que foi orientado a entrar numa estrada que leva a um canavial, acesso situado acerca de dois quilômetros do local da abordagem do assaltante. “Como eu pensei que ele ia me matar, decidi entrar em luta corporal ainda dentro do carro”, explicou a vítima sobre sua reação. Com a mão esquerda, o padre segurou a faca, sofrendo vários cortes, enquanto tentava abrir a porta do carro com a outra mão.
O Embate
O embate com o jovem que vestia bermuda, camisa e estava de sandálias acabou do lado de fora do veículo, um Volkswagen Gol que pertence à paróquia de São Sebastião. “A faca se quebrou durante a briga, mas ele continuou golpeando nas minhas costas, peito, cabeça”, relatou o padre sobre os ferimentos que seriam mais profundos se a arma não tivesse sido danificada. Contudo, a perda de sangue fez a vítima desmaiar.
“Eu apaguei e isso deve ter feito ele pensar que eu havia morrido. Depois de um certo tempo, recobrando a consciência, ouvi duas vozes conversando, acho que era o rapaz que me agrediu e um comparsa. O carro foi ligado, mas como o terreno é arenoso, os dois pneus dianteiros atolaram, aí eles foram embora”, relatou o padre Vivaldo.
A espera
Já consciente e com a certeza que estava só, o religioso levantou-se e foi até o veículo. “Eu procurei a chave do Gol, mas eles levaram e também meu celular e minha carteira com documentos pessoais que não tinha dinheiro. Como eu estava muito fraco e a pista (AL 101 Sul) estava a mais ou menos um quilômetro, tive que passar a noite dentro do carro”, acrescentou.
Por volta das 6 horas de terça-feira, 05, padre Vivaldo deixa o veículo e caminha até o povoado Cerquinha, onde recebe auxílio. Um agente comunitário de saúde providencia transporte da vítima até a Unidade de Emergência de Penedo, onde recebeu os primeiros socorros. “Eu renasci, senti que a mão de Deus me segurou”, afirmou padre sobre sua sobrevivência ao atentado.
A recuperação
Transferido para o Hospital Regional, o religioso está sob os cuidados do médico Raimundo Souza e deve permanecer em observação até sábado, tempo necessário para recuperar-se dos diversos ferimentos e receber alta médica. Até lá, padre Vivaldo conta com assistência de pessoas da paróquia de São Sebastião. As visitas de solidariedade precisaram inclusive ser contidas por conta da necessidade de repouso do paciente que é mais uma vítima da violência que assola Alagoas.


