A mitologia grega deixou como legado às gerações que se seguiram o Mito de Narciso, aquele que “embevecido pela própria imagem no reflexo das águas paradas de um lago deixou-se definhar, sem comer ou beber, apenas admirando a própria beleza”.
Em decorrência de tal, surgiu a expressão “narcisismo” que significa “entorpecido” e aponta aqueles que se inebriam pela vaidade, agindo de forma individualista e insensível, menosprezando os que o cercam e que não comungam de suas ideias, experiências e exemplos.
Na nossa realidade essa individualidade é facilmente identificada. Para os egoístas, seus interesses sempre sobrepujam aos dos demais. Agem manipulando aqueles que o rodeiam e os que lhes despertam interesse, atraindo os afins e conquistando os outros. Criando “verdades”, iludindo e mentindo, muitas vezes agindo de boa-fé, pois realmente acreditam que não estão errados, que a forma como pensam é a melhor e a mais sensata, e por isso mesmo conseguem o que querem com mais facilidade – transmitem confiança.
No fim acabam “descambando” para o totalitarismo.
Os egoístas, narcisistas e individualistas estão por toda parte, muitas vezes travestidos, vitimizando-se em relação a fatos fantasiosos e pessoas que julgam opositores. Encantam pelo sentimentalismo, pelas palavras fáceis e contundentes, persuadindo o ouvinte quanto às suas boas ações e intenções, angariando confiança, e assim tornando viável o que é almejado.
Mas, e o que estariam cobiçando? Poder! Invariavelmente este é o objeto de desejo daqueles que só enxergam o próprio umbigo – a própria imagem refletida nas águas paradas de um lago.
Para evitar que sejamos conquistados por sua persuasão, eloquência e falácia é primordial o questionamento constante, os sentidos aguçados e a percepção acurada. Os leitores/ouvintes devem estar atentos aos mínimos sinais.
Aqueles que não fazem o que falam, ou que gritam o que não escrevem, devem ser os primeiros questionados, principalmente se quiserem conquistar sua confiança. E as explicações nunca devem ser tomadas como verídicas antes de checadas, afinal, o poder de convencimento pode ser um dom.