O deputado federal por Alagoas, Maurício Quintella Lessa, (PR) integra como membro titular a polêmica Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)do Cachoeira que investigará as ligações de políticos e empresários com o influente bicheiro Carlinhos Cachoeira. No Congresso Nacional, começaram nesta quarta-feira (25) os trabalhos na CPI mista.

À reportagem do Cadaminuto, Quintella fez questão de destacar que os trabalhos da CPI serão importantes para esclarecer todas as denúncias que vieram à tona nas últimas semanas nos mais diversos jornais do Brasil.

“Como todo mundo sabe uma CPI tem começo, mas o fim ninguém pode adivinhar. Espero que ao final, todas as indagações da sociedade sejam esclarecidas. Nada mais natural”, pontuou.

O parlamentar comentou também os bastidores políticos que levaram à instalação da CPI. Segundo ele, nunca houve interferência do Executivo para impedir o ‘inicio dos trabalhos’, ao contrário do que fora informado pela mídia nacional.

“Posso te assegurar que essa questão em especial não existiu. Logicamente, que a oposição vai fazer de tudo para que as investigações cheguem ao Executivo. Isso é natural. A política trabalha desta maneira. Aliás, é importante enfatizar também que o governo Dilma faz questão que as denúncias sejam esclarecidas”,frisou.

Delta

Com relação à construtora Delta, apontada como empresa que funcionava com a influência de Cachoeira, Quintella falou que até agora não há nenhum sinal de que exista algo de irregular nas ações que a empresa realizou no estado de Alagoas.

“A Delta desenvolveu alguns projetos antes da nossa gestão no DNIT. É bom deixar bem claro. Assim que a comissão tiver acesso às investigações da Polícia Federal, saberemos os primeiros passos. Se houver alguma suspeição vamos cobrar respostas”, colocou.

A Delta é uma das maiores contratadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe dos investimentos em infraestrutura do governo federal.Indícios de tráfico de influência nas contratações e suspeitas de irregularidades nas obras levaram a Controladoria-Geral da União a abrir processo para declarar a empresa inidônea, o que pode impedi-la de firmar novos contratos com o governo.

Carlinhos Cachoeira está preso desde fevereiro pela Polícia Federal, que grampeou ligações telefônicas dele com agentes públicos e privados, entre os quais o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Na manhã desta terça-feira, senadores e deputados que compõem a CPI aprovaram, por unanimidade, pedidos de informações ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República requerendo acesso aos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigaram as atividades ilegais de Carlinhos Cachoeira.

Ao todo são 64 integrantes, sendo 32 titulares e 32 suplentes. A presidência da comissão pertence à maior bancada do Senado, no caso o PMDB. O partido indicou o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o posto. A relatoria couve à maior bancada da Câmara, a do PT. O indicado para o cargo é o deputado Odair Cunha (PT-MG).

Pelo requerimento de criação, a comissão tem duração prevista de 180 dias, que podem ser renovados