A agropecuária de Mato Grosso fechou o mês de março com saldo negativo de 2.327 empregos. O desempenho da atividade influenciou o índice de contratações total no estado, que foi de 806, referentes a 35.727 admissões e 36.522 desligamentos. O balanço faz parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No terceiro mês de 2011, levando em conta os principais setores da economia mato-grossense, o saldo também foi negativo em 2.269, sendo 31.551 admissões e 33.820 desligamentos.

Neste ano, a agricultura e a pecuária contrataram 29.044 trabalhadores e demitiram 20.920, pontuando com saldo de 8.124 postos de trabalho. O presidente da Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Fávaro, explica que o saldo negativo em março representa o término da safra 2011/12. "Muitos trabalhos temporários são finalizados neste período". Segundo ele, é uma tendência que ocorre após o término da colheita. "A safra termina e dispensamos os trabalhadores temporários. De dezembro a janeiro, por exemplo, este número tende a aumentar", observa.

Para o professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Adriano Figueiredo, a diminuição de trabalhadores na agropecuária se deve a uma soma de fatores. "A demanda em outros setores pode estar maior. Muitos trabalhadores vão para outras atividades que estejam contratando nesta época". Ele acrescenta que, na maioria dos casos, os trabalhadores voltam para a agropecuária por não se enquadrarem em outras profissões ou porque não têm qualificação para ocupar outros cargos.

De acordo com o Caged, além da agropecuária, o comércio também fechou o mês de março negativamente, com menos 1.115 trabalhadores; assim como os serviços industriais de utilidade pública, com 14 demissões. Em contrapartida, o setor da construção civil apresentou o maior índice de contratações formais, com 1.140 trabalhadores, seguido da indústria de transformação (865); o setor de serviços (445); de extrativismo mineral (210); e de administração pública (30).

Municípios
A pesquisa aponta ainda a evolução do emprego formal em municípios de Mato Grosso com mais de 30 mil habitantes. O saldo de março foi de menos de 367 oportunidades nos 15 principais cidades do estado. Cuiabá foi o local que apresentou o maior índice de empregos mantidos no mercado de trabalho, com 310. Entre as cidades pólos da produção agropecuária aparece Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, em terceiro lugar, com 111 admissões.