Experiências de desenvolvimento sustentável em áreas irrigadas e de sequeiro para regiões semiáridas foram apresentadas a gestores públicos, técnicos e produtores rurais nesta terça-feira (10), numa reunião que discutiu estratégias de produção para os perímetros do Canal do Sertão. O encontro foi realizado no Palácio República dos Palmares.

O objetivo da reunião era conhecer experiências exitosas e debater projetos já elaborados para os perímetros do Canal do Sertão com foco em geração de renda e uso sustentável da água. Uma das atividades que mais se destaca como adequada para a região no entorno do canal é a ovinocaprinocultura. A ação faz parte do projeto estruturante da Seagri no Programa Alagoas Tem Pressa.

“Temos que levar em conta a vocação de cada região para a atividade que será desenvolvida. Em relação à ovinocaprinocultura, os animais já são adaptados a essa área, ao clima, às condições naturais. Mas outros fatores devem ser considerados, como o tipo de solo e o mercado consumidor para determinados produtos”, enfatizou o secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, Jorge Dantas.

O pesquisador da Embrapa Solos, José Coelho de Araújo, fez uma apresentação sobre os tipos de solo na região do Canal do Sertão. Ele salientou que boa parte é formada por solos rasos, com possibilidade de salinização. “Por conta disso, a irrigação, que não é uma prática comum na região, deve ser feita com assistência técnica”, ressaltou.

Ainda durante a reunião, o consultor em sistemas agroindustriais, André Sorio, destacou as possibilidades da ovinocaprinocultura e o que o mercado consumir procura, além de fazer um panorama sobre a produção e o consumo desse tipo de carne no Brasil. “Esse tipo de atividade é adequado para ambientes extremos, como o semiárido, enquanto o Brasil se destaca como o segundo maior consumidor de carne de ovinos na América”, explicou.

Ele também frisou que o rebanho nacional de ovinos é de quase 17 milhões de cabeças e a média é de 39 cabeças por criador. Já em Alagoas, atualmente a média é de 17 cabeças por criador e o rebanho no Estado é de 203 mil cabeças, com 11.860 propriedades onde esses animais são criados.

“Geralmente, a ovinocultura é uma atividade secundária ou terciária dentro da propriedade. É preciso capacitar os criadores para uma melhor produção e que atenda às demandas do mercado. Isso é importante para que haja efetivamente a geração de renda”, analisou o consultor.

Os participantes da reunião também acompanharam a apresentação do projeto para o Pólo de Produção Integrada de Ovinos, conduzida pelo consultor Ricardo Aragão. Esse projeto contempla a capacitação dos produtores, assistência técnica permanente e melhoramento genético do rebanho.

Como experiências exitosas de desenvolvimento sustentável no semiárido, foram apresentados os projetos de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), que recebem assistência da empresa Projetec. Com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), as regiões no entorno do Rio São Francisco promovem geração de renda tanto nas áreas irrigadas quanto de sequeiro. O expositor foi o consultor da Projetec, Clóvis Guimarães Filho.

Representação

Participaram da reunião, além de técnicos e produtores, os secretários de Estado da Infraestrutura, Marco Fireman, de Ciência, Tecnologia e Inovação, Eduardo Setton, da Aquicultura e Pesca, Régis Cavalcante, do Gabinete do Governador, Herbert Motta, o presidente nacional da Codevasf, Gulherme Almeida de Oliveira, o superintendente da Companhia em Alagoas, Luiz Alberto Nogueira, o presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos de Alagoas (Accoal), Marco Maranhão, representantes do Ministério da Integração Nacional, do Sebrae/AL, das secretarias de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande), dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (Semarh), do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL).