A Líbia não enviará Saif al-Islam Kadafi, o mais proeminente filho do ex-líder líbio, para a Corte Criminal Internacional (CCI) em Haia, e o julgará dentro do país, afirmou neste domingo o ministro da Justiça, Ali Ashour.

Saif al-Islam permanece em uma prisão secreta sob custódia dos rebeldes Zintan que o capturaram no ano passado, e será julgado na Líbia por juízes locais sob acusações de corrupção, assassinato e estupro, disse Ashour.

Apesar das exigências da CCI de que ele fosse enviado a Haia para julgamento, "não há intenção de entregá-lo, e a lei líbia é o sistema certo para ser usado para julgar Said Kadafi", disse o ministro.

Ele negou alegações de maus tratos feitos por um advogado de defesa do CCI, que disse nesta semana que Saif al-Islam havia sido espancado e sido informado erroneamente sobre as acusações contra ele. "Ele come com as pessoas que o vigiam, e está em boas condições", disse.

A pressão tem crescido para que a Líbia entregue o filho de Kadafi para o CCI, à medida que organizações de direitos humanos dizem que o país é incapaz de dar um julgamento justo a ele. Uma delegação da CCI chegou a Trípoli no domingo para discutir o caso de Saif com o ministério da Justiça, disse o representante líbio no tribunal, Ahmad al-Jahani.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU obriga a Líbia a cooperar com a corte, diz o CCI, e o fracasso do país em entregar o prisioneiro pode resultar em uma queixa ao Conselho. Said al-Islam enfrenta a pena de morte se considerado culpado pela corte na Líbia e prisão se condenado pelo CCI.