A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, negou nesta quinta-feira envolvimento em mais uma irregularidade apontada contra o Ministério da Pesca durante sua gestão à frente da pasta, entre janeiro e junho do ano passado. Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo aponta que a Pesca liberou R$ 769,9 mil para um projeto de criação de peixes que não saiu do papel.

"Nos cinco meses que eu permaneci no Ministério da Pesca, eu não realizei, não assinei nenhum contrato, nenhum convênio novo. Eu única e exclusivamente executei o que estava já contratado, conveniado, aquilo que estava em andamento dentro do rigor da lei, cumprindo inclusive obrigações de honrar os contratos que estavam em vigor e sob os quais pairavam indícios de irregularidades", alegou a ministra, dizendo que não teve qualquer participação na contratação dos projetos.

Para Ideli, a segunda denúncia envolvendo sua antiga pasta em menos de uma semana não deverá arranhar sua reputação. "Eu considero este assunto, sob o ponto de vista de atingir a minha imagem, sem qualquer responsabilidade da minha parte", disse.

A ministra preferiu não acusar a gestão anterior do Ministério, mas defendeu punição para os envolvidos. "Pela informação que tenho, este (convênio que não saiu do papel) não é um contrato que esteja sob investigação. Se houver irregularidade, obviamente quem é responsável pela irregularidade que pague", disse a ministra.

Na terça-feira, a ministra já havia dado explicações e negado relação com a compra de 28 lanchas-patrulha, aquisição que despertou suspeitas no Tribunal de Contas da União (TCU). O negócio foi firmado com a empresa Intech, que doou R$ 150 mil ao comitê eleitoral do PT catarinense - reduto eleitoral da ministra. Ideli comandou o Ministério da Pesca entre janeiro e junho de 2012 e parte do pagamento, de R$ 31 milhões, foi feito sob sua gestão.