O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), classificou como processo político a decisão da Justiça em bloquear todos os seus bens. A sentença aconteceu em decorrência da denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) que encontrou irregularidades na ordem de R$ 200 milhões em contratos celebrados entre a prefeitura e empresas de coleta de lixo. As declarações foram dadas no programa cidadania do radialista França Moura, na manhã desta quinta-feira (05).

De acordo com o prefeito, apesar da decisão da Justiça ele nunca foi sequer ouvido por qualquer autoridade sobre as supostas irregularidades. “Quero que a Justiça e o promotor Marcus Rômulo provem que eu tenho participação nesse esquema. Caso não provem, eles serão mentirosos. Agora, como o processo político se avizinha, essas situações começam a aparecer. É bom deixar bem claro que não sou candidato a nada em 2012”, esbravejou, salientando que seus advogados trabalhavam para comprovar que as informações que a imprensa alagoana noticiou não são verdadeiras.

“A minha consciência é tranquila. Não tenho participação em nenhum esquema que tenha fraudado os cofres da prefeitura. Já demiti diversos secretários por acreditar que as coisas não estavam andando no caminho certo. Situações piores acontecem em Alagoas e não são, infelizmente, divulgadas. A imprensa local fica calada. É lamentável”, pontuou.

Almeida disse também que está otimista com a revisão da sentença. “Apesar de todos esses fatos, acredito que existem autoridades de bem nesse estado. Que agem dentro da lei. Por isso, a sentença será revisada, não tenho dúvida disso. O governador em exercício, José Thomaz Nonô, participa da minha gestão. E se um ladrão estivesse à frente da prefeitura, tenho certeza que ele não faria parte. Não vou me curvar diante de safados e maloqueiros que desejam adiantar o processo eleitoral e constroem essas verdades compradas”, ponderou.

Almeida garantiu ainda que a sua gestão é pautada pela legalidade e a prova disso foram as últimas licitações que realizou. “Bater nesse prefeito aqui é muito fácil. Espero que aproveitem que estou no mandato até dezembro. As licitações da prefeitura são acompanhadas pelo Ministério Público. Todas dentro da legalidade, pode ter certeza”, assegurou.

O prefeito colocou também que essas informações ‘compradas’ têm apenas um objetivo. “Essas pessoas querem me tornar ficha suja para impedir minha participação direta em 2014. Vou continuar dizendo que sou inocente e o povo alagoano sabe disso. Dou minha vida por ele. Após minha gestão, peço que as autoridades trabalhem com a mesma motivação”, frisou.

A denúncia trata-se da denominada "máfia do lixo". De acordo com a ação do promotor Marcus Rômulo, o prefeito e outros acusados teria fraudado a licitação para beneficiar empresas integrantes do esquema: Limpel e Viva Ambiental. O processo tramita em segredo de Justiça.

Agora, conforme decisão judicial, Cícero Almeida e os demais envolvidos tiveram seus bens bloqueados. A decisão é da comissão criada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, Sebastião Costa Filho, com o objetivo de agilizar o julgamento das Ações por Ato de Improbidade. Além do bloqueio de bens e de contas bancárias, serão quebrados sigilos fiscais e bancários de todos os envolvidos.

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