Produtores familiares da região da Matiruba, em Penedo, que foram impactados pelas obras de regularização e geração de energia elétrica realizadas ao longo do Rio São Francisco, como a construção de reservatórios e usinas hidroelétricas, estão incluídos num projeto para fortalecimento da cadeia produtiva local.
Ao todo, 319 famílias do Arranjo Produtivo da Cooperativa dos Produtores do Projeto Marituba (Coomarituba) serão beneficiadas diretamente com ações de um convênio entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A ação também tem o apoio do Sebrae/AL, da Prefeitura Municipal de Penedo e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), que vai fazer um diagnóstico da cadeia produtiva. Um dos primeiros benefícios para as famílias é a aquisição de 400 novilhas e vacas de primeira cria, da raça Girolando, para servir como matrizes e impulsion
O convênio, cujo valor total chega a R$ 2.156.000,00, também prevê a aquisição de um caminhão com tanque isotérmico para transporte de leite, três tanques de resfriamento de leite, tratores, patrulha mecânica e equipamentos de informática, além de outros itens. Os produtores serão capacitados, haverá um levantamento socioeconômico e assistência técnica.
“O governador Teotonio Vilela entende que os produtores dessa região precisam ser inseridos de forma produtiva, para que continuem no campo, produzindo alimento, gerando renda, desenvolvendo aquela região”, enfatizou o secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, Jorge Dantas.
Negócio promissor – Segundo o secretário adjunto da Seagri, José Marinho Júnior, a produção de leite dos produtores da Coomarituba já tem compra garantida pela Cooperativa Pindorama e pelo Governo do Estado, para inclusão no Programa do Leite, que repassa o produto a famílias em situação de vulnerabilidade alimentar e nutricional em todos os 102 municípios.
“Esse projeto tem todas as condições para se tornar sustentável, afinal, a região já possui uma pequena bacia leiteira e um dos itens principais, que é a comercialização, já está garantida”, comentou José Marinho Júnior. De acordo com a estimativa de técnicos da Seagri e do Sebrae/AL, a produção de leite das 400 matrizes, no primeiro ano, pode chegar a 3 mil litros de leite.
O superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Hibernon Cavalcante, faz uma avaliação geral e afirma que o Nordeste é “a bola da vez” para as indústrias de laticínios. “Proporcionalmente, é a região onde mais há crescimento na produção de leite. Isso prova que a atividade é sustentável, tem mercado e expectativa de crescimento”, comentou.
A entrega das 400 matrizes que foram licitadas ainda não tem data prevista para ocorrer, uma vez que o processo ainda precisa passar por alguns órgãos do governo e, depois, um grupo de técnicos especializados fará a escolha dos animais.