Recordista sul-americano no salto triplo e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007, Jadel Abdul Ghani Gregório mira, em 2012, uma medalha na Olimpíada de Londres. Depois de passar uma temporada enfrentando muito frio na Rússia, o brasileiro agora treinou sob o sol forte do norte paranaense, na cidade de Londrina.

A escolha pela cidade tem explicação e se chama Antônio Carlos Gomes, o novo técnico do atleta. Gomes é natural de Londrina e em dezembro do ano passado deixou o trabalho de consultor científico do Corinthians para se dedicar ao treinamento de Jadel.

A preparação é puxada e, de acordo com o treinador, está na fase de fortalecimento e técnica. "Depois a gente passa para potência e técnica e posteriormente velocidade e técnica", explicou.

Jadel diz estar 100% depois de um período complicado na carreira. Em setembro do ano passado, ele precisou fazer cirurgias nos dois joelhos e ficou impedido de participar das principais competições do calendário, como os Jogos Mundiais Militares no Rio de Janeiro e o Pan-Americano de Guadalajara (México).

A recuperação total só foi concluída na temporada da Rússia e, até poucos dias atrás, o atleta não havia executado nenhum salto, fazendo apenas exercícios técnicos e de movimentação.

Mas no início deste mês ele pôde matar a saudade de fazer o que mais gosta e deu seis saltos na pista de atletismo do Estádio Willie Davids, em Maringá (100 km de Londrina). "Foi o primeiro treino mais avançado e acho que foi muito bom. Quando fiz a cirurgia o médico deu seis meses para eu voltar a saltar e seis meses depois estou realmente saltando. Estou bem confiante com o trabalho", disse Jadel.

Por enquanto, o treinamento dele está focado no salto em distância, já que o triplo exige mais do atleta e ainda pode ser arriscado. Isso não quer dizer que os treinos estão mais fáceis, já que o esportista, sob orientação do treinador, teve que mudar totalmente a maneira de saltar.

Durante toda a carreira ele fez o salto no estilo grupado, que é a forma mais tradicional e simples, mas agora o salto será no estilo passada, como a atleta Maurren Maggi faz. A diferença é que, quando estiver no ar, Jadel fará não apenas uma, mas duas passadas.

"Isso exigiu um trabalho muito intenso de reconstrução sensorial motor", definiu o treinador, que espera, com essa técnica, aumentar a marca do atleta, que já chegou a bater os 8,23 m.

O recorde sul-americano que Jadel conquistou em 2007, com a marca de 17,90 m, o colocou como sexto melhor atleta da modalidade. Pela regra do Comitê Olímpico Internacional (COI), ele pode participar da Olimpíada mesmo que não consiga atingir o índice de classificação, que atualmente é de 17,20 m para o salto triplo e 8,10 m para o salto em distância.

Mas nada disso importa para Jadel, que nos Jogos de Atenas 2004 ficou em quinto lugar e em Pequim 2008 em sexto. Daquela época ele diz que só guarda as boas lembranças e que o que não foi positivo passou. A regra para o atleta agora é renovação.

"Eu comecei do zero. Meu objetivo agora é fazer o índice do salto em distância e depois vou tentar do salto triplo. Estou muito animado e me dedicando bastante", destacou. A primeira oportunidade para conquistar o índice será em maio, na Argentina.