Cerca de oitenta famílias de trabalhadores rurais estão, neste momento, sofrendo o despejo forçado do Acampamento Patativa do Assaré (organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST em Maragogi-AL), que ocupa a área da fazenda Cachoeira desde janeiro de 2011. A fazenda, arrendada à Usina Santa Maria, possui dívidas que nem proprietário, nem arrendatário pretendem quitar.

A reintegração de posse está sendo cumprida pelo Centro de Gerenciamento de Crises, Direitos Humanos e Polícia Comunitária (CGCDHPC) da Polícia Militar. As famílias, que não tinham retirado neste um ano de ocupação a cana-de-açúcar da usina, agora entulham seus pertences no caminhão trazido pela polícia. As negociações vinham acontecendo no âmbito da Vara Agrária, que decidiu pela reintegração.

Surpreende a agilidade do Estado brasileiro, em diferentes níveis, para ao mesmo tempo em que nega as condições mínimas de vida e dignidade a sua população (terra, moradia, educação, saúde etc.), se mobilizar a favor de interesses das elites que o permeiam.

“A responsabilidade da Reforma Agrária não é só do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas do Estado brasileiro, que nega o acesso a trabalho, renda, moradia, mas garante todas as condições estruturais para atender interesses da classe latifundiária, industrial que ora domina a sociedade”, afirma Débora Nunes do MST.